As edições digitais avançam – I

Quando falei do passaralho do Globo (aqui) mencionei, meio de passagem, o fato de a edição digital responder pelo aumento das assinaturas totais do jornal. Essa constatação, porém, pode ser feita também nos outros dois grandes jornais do país, Folha e Estado. Mais do que isso – no Globo e na Folha essa tendência é tão forte que é muito provável que, em três anos, as assinaturas digitais superem as analógicas, mesmo que por pouco. Como montar tabela e gráfico dão um trabalhinho, vou dividi-lo em três, começando a análise pela Folha e seguindo com os outros nas próximas semanas, ok?

Aos números (e gráfico e tabela).

Em dezembro passado, a edição digital da Folha já respondia por quase 43% do total de assinaturas do jornal dos Frias, conforme se pode observar abaixo.

participação da edição digital_folha_dezembro_2014

Já a tabela abaixo mostra a evolução das assinaturas digitais de janeiro a dezembro de 2014 em relação à assinaturas totais no mesmo período.

tabela_jan_dez_digital e geral_folha

Análise
A tabela demonstra que o avanço das assinaturas digitais é sólido, com um salto de pouco menos de três pontos percentuais na passagem de agosto para setembro. Além dessa mudança de patamar (confirmada e até ampliada nos meses seguintes), o salto aponta para o avanço das assinaturas digitais sobre as analógicas – apenas de agosto a dezembro, as assinaturas totais da Folha cresceram de 351.762 para 371.050 (5,48%), enquanto as digitais foram de 133.094 para 159.117, um voo de 19,55%. Assim, fica claro que uma parcela substancial de pessoas simplesmente trocou o seu tipo de assinatura, não representando um ganho real de assinantes.

A trajetória apontada por esses números, se mantida, significa que, no caso da Folha, em algum momento do primeiro semestre de 2018, o número de assinantes digitais superará o de analógicos. A projeção se baseia na aceleração do avanço das assinaturas digitais sobre as analógicas, ocorrida no segundo semestre de 2014 – a média desse avanço, tomada de dezembro sobre janeiro, foi de 448 assinaturas, o que faria com que as primeiras ultrapassassem as segundas em 10 anos. No entanto, entre agosto e dezembro do ano passado, aquele número saltou numa ordem de três, passando a 1.347 – assim, mantido o ritmo, a ultrapassagem ocorreria em três vezes menos tempo, ou três anos.