O gol do Robertão

Com indesculpável atraso, meus pêsames à família, ao Botafogo e ao jornalismo pela morte de Roberto Porto. Robertão foi meu chefe, por curto período, na Tribuna da Imprensa, mas eu já o conhecia de outros lugares, como jornalista esportivo que éramos. A última vez que o encontrei, há muitos e muitos anos, fora tratar de recuperar documentos para aposentadoria no Sindicato, onde eu trabalhava como assessor. Na varanda da sede, conversamos uma boa meia hora sobre a profissão, o futuro dele e do filho, Roby Porto, que acabara de ser contratado pela ESPN nos EUA, onde morava, causa de indisfarçado e compreensível orgulho do pai.
Da nossa convivência profissional, ficou uma história e uma lição.  Numa reunião dos editores, antes de começarmos a fechar o jornal do dia, Robertão reclamou por uma besteira cometida por um colega, que editava a Inter (não me lembro qual, mas fora grande mesmo). Ele admitia que as condições de trabalho na Tribuna estavam longe de serem as ideais e, por isso, não exigia um nível de excelência de um Globo. No entanto, esse fato não era desculpa para a besteira. “Tudo bem que a gente não faça a defesa difícil, mas não podemos levar por um frango por debaixo das pernas!”, bronqueou. Nunca esqueci dessa lição de profissionalismo.

Vai na paz, chefe.