“Ó meu Deus, mais telecomunicações?!”

É, mais uma coluna falando desse assunto chato, mas fundamental. Recomeço de onde parei na semana passada (se não lembra, abaixe a tela ou clique aí do lado).

O governo está a fim de acelerar o processo de avanço das telecomunicações no país, o que, como vimos semana passada, tem o potencial de mudar o tipo de jornalismo que é (mal) praticado aqui no Bananão. O veículo para atingir esse objetivo é o Plano Nacional de Banda Larga 2.0, mais conhecido, desde a campanha presidencial, como Banda Larga Para Todos.

O nome é muito marqueteiro, mesmo para os padrões do governo. Diferentemente da energia elétrica, a qual realmente pode atingir 99% da população (100% se forem usados meios alternativos como energia solar), a Banda Larga baseada em fibra ótica (FFTx no jargão, para saber mais clique aqui e é bom que você o faça) não vai chegar a todo mundo. Para um país enorme como o nosso, se chegar a 80% é para ser premiado pela ONU. O próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já disse (depois da campanha, et pour cause) que a meta para os quatro anos de governo dilmal é chegar a 45% dos domicílios no país.

O custo? Uma cacetada. Pelos cálculos do Minicom, a conta para atingir esses 45% na chamada “última milha” é de R$ 40 bilhões. Obviamente, o governo não terá bala para tanto. Daí, a presença da iniciativa privada é fundamental. A ideia do governo é licitar o projeto por meio de leilões reversos – neles, ganha quem botar mais dinheiro no negócio, necessitando, pois, menos do dinheiro público. Muito bom, claro, mas vai ter que combinar bem com os “russos”, pois as empresas de telecom são meio cabreiras com o Executivo federal, que, para elas, sempre acaba cedendo muito para os radiodifusores nos arranca-rabos entre as duas indústria (sem contar a mania de mudar regra com o jogo começado).

A grana é monstra, sem dúvida, mas poderia ser maior. É que a fibra ótica não precisa chegar até a residência (FTTH) ou prédio (FTTB) (eu disse que era você para ter clicado no link do terceiro parágrafo… ) Ela pode chegar apenas na Estação Rádio-Base (ERB, a antena que a gente vê por aí) de 4G e esta distribuiria o sinal com velocidade de banda larga (em teoria, a 4G pode chegar de 100 Mbps no dowstream – para efeito de comparação, a 3G chega a meros 384 kbps). Segundo o previsto pelas normas das concessões de 4G, as telecoms devem levar essa tecnologia a todos os municípios com mais de 30 mil habitantes até o fim do ano que vem (usando a faixa de 2,5GHz), o que viabilizaria boa parte do objetivo governamental

Para que esse sistema de alta velocidade tenha suporte, haverá necessidade de, paralelamente, ser construída as estruturas de backhaul , que hoje só chegam a 47% dos municípios, percentual que, o Minicom acredita, pode chegar a 90% em quatro anos. A melhor imagem para entender o que é backhaul é o dos nervos que saem da espinha dorsal (backbone) levando e trazendo os impulsos ao resto do corpo. Assim, quando você liga o seu celular (os dedos na imagem do corpo), o sinal é captado pela ERB (os nervos periféricos), que o levam para backhaul (os nervos principais) e este para o backbone, que, por sua vez, encaminha o sinal para o outro ponto, onde o processo é invertido. Assim, quanto mais capilarizado (e capacitado em termos de velocidade) for o backhaul, melhor (ou seja, mais veloz e estável) será a comunicação. O custo para atingir 90% dos municípios, calcula do Minicom, é de R$ 10 bilhões, o que elevaria o custo de todo esse projeto a algo em torno de R$ 50 bi.

Bem, se esses planos do governo Dilma forem concretizados, além de abrirem oportunidades de ouro para a melhoria de educação (via EAD) e saúde (telemedicina), têm tudo para mudar a maneira como se faz comunicação no país, incluindo aí o jornalismo. Mas isso já expliquei semana passada.