Racionamento 3 – A cascata vive!

O passa-fora que o Operador Nacional do Sistema (ONS) deu na Folha de São Paulo, chamando o repórter Machado da Costa, autor dessa matéria aqui , de mentiroso (aqui) inicia a temporada de uma cascata que está se tornando tão tradicional no verão quanto o Carnaval: a de que haverá racionamento de energia no país. Apesar de boa, a cascata do repórter com nome de poeta português passa longe da minha favorita, a publicada no dia 14 de março deste ano, no Valor, que você vê abaixo:

20140314_valor_marioveiga
A razão do meu gosto por essa cascata está na parte sublinhada em vermelho. É isso mesmo que você leu: a repórter (cujo nome foi preservado), que, em teoria, é especialista em energia, afirma que o país passaria dias e noites sem luz (embora tenha gente que defenda que blecaute só existe à noite) por meses. Como se sabe, esse cenário apocalíptico não ocorreu.

“Mas não teria sido a fonte que disse?”, perguntará você. Essa hipótese é altamente improvável: a) a fonte é um respeitado, embora um tanto tendencioso, analista do setor elétrico e ele jamais diria um absurdo desses; b) e se, num acesso de loucura, ele o tivesse feito, uma afirmação desse naipe viria, obrigatoriamente, entre aspas. Como não veio, segue-se que saiu da cabeça da repórter. Guardei essa matéria por meses, à espera que se iniciasse a temporada de caça ao racionamento, que este ano começou bem animada, com a cascata de Machado mostrando que os coleguinhas estão dispostos a bater o recorde cascatal da coleguinha do Valor.

“Mas se a gente não pode confiar nesses coleguinhas sacanas e/ou incompetentes, o que faremos?”, perguntará você, já aflito. Bom, não tem muito jeito a não ser você mesmo realizar o trabalho para o qual eles são pagos (pelo menos em teoria): apurar. Um bom começo é o site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Lá, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) provê não só a previsão do tempo diária (aquela chupada pelo Climatempo), como faz previsões trimestrais (aqui), baseadas em probabilidades porque não é possível fazer previsões com um mínimo de confiabilidade para períodos acima de seis dias.

E por que os coleguinhas continuam a cascatear sobre o tema? Expliquei aqui durante a temporada de 2013 (aqui) e aprofundei na de 2014 (aqui).

Anúncios