Ah, os liberais brasileiros…

O que aconteceu com Xico Graziano, um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves e ex-chefe de gabinete de FHC, quase me faz ter pena dos liberais brasileiros. Xico foi xingado de “petralha”, “esquerdopata” “comunista” e outros epítetos tão em voga nas redes sociais ao publicar em sua página no FB que era contra a campanha de impeachment de Dilma (aqui)

Só que aí me lembro que, durante a campanha, os liberais nunca se mostraram indignados com os ataques e ameaças que esta ralé (no sentido que Hannah Arendt dá em “As origens dos totalitarismo“) fez aos petistas apenas por discordarem deles,  nem mesmo quando esse tipo de gente pregou o racismo contra os negros, a violência contra os gays  e até o extermínio dos nordestinos – aliás, bem ao contrário: deram seu aval de várias formas, desde encerrar posts com a expressão protofascista “estamos de olho” até o estímulo direto de FHC, o maior dos caciques da tribo tucana, dizendo que quem votava no PT era pobre e desinformado.

Esse oportunismo político advém de um fato: os liberais brasileiros, ao mesmo tempo em que se sentem mal com a presença dos pobres – por “enfeiarem” a paisagem, em especial de bairros como Leblon, Ipanema, Jardins, Higienópolis e seus congêneres de todas as capitais do país – não admitem que estes tenham a chance de deixarem de ser pobres graças a programas de inclusão social como Bolsa-Família, Prouni, Pronatec, cotas, Mais Médicos etc. Menos pobres, para os liberais brasileiros, quer dizer mais guetos ou mais execuções, desde que ambOs bem longe de suas vistas. Como não têm coragem nem de pôr o 45 nos vidros de seus elegantes carros de linhas aerodinâmicas, durante a campanha apelam para a ralé, que, além de botar os adesivos naqueles “tanques civis” que são as SUVs, não tem vergonha de defender nas ruas tudo o que é antidemocrático e até criminoso, como se viu no sábado, dia 1º de novembro, na Avenida Paulista.

Para livrarem-se deste dilema – não gostam de ser confundidos com a ralé, mas sem ela não têm chance de vencer eleição -, os liberais brasileiros teriam que fazer o que Nove-Dedos fez em 2002, com o sinal trocado. O candidato deles deveria assinar uma “carta aos brasileiros” não só prometendo não acabar com os programas de inclusão social, como a ampliá-los em extensão, profundidade e fundos. Mas cadê a coragem política para isso? Assim, para ganhar a eleição em 2018, os liberais de Pindorama irão de novo aliar-se ao que de pior e mais monstruoso existe no Brasil. Sem hesitações.