A Defenestração d’Escóssia e a Vitória de Pirro

O caso de Xico Sá, que, censurado pela Folha, pediu o boné, não chegou a me abalar. Por ser jornalista de grife Xico tem cacife para fazer ser independente o quanto quiser (Elio Gaspari, por exemplo, deixou o Estadão apontando o mesmo motivo, lá por meados dos anos 90, e logo estava na Folha). Mais surpreendente, para mim, foi a demissão de Fernanda da Escóssia (licença para a editora de País a duas semanas da eleição presidencial mais importante dos últimos 25 anos? Fala sério…).

Fernanda sempre foi conhecida como uma boa soldado, desde quando apareceu na Folha, em 94, vinda do Ceará, onde se graduara pela universidade federal. Por 10 anos, serviu bem aos Frias e, há oito, fazia o mesmo com os Marinho. Nunca foi de discutir ordens e por isso chegou ao cargo que chegou. Se ela tinha jogado a toalha (ou tinham jogado a toalha para ela), é que alguma coisa muito séria ocorrera. Então, eis o que consegui apurar.

Como boa soldado, Fernanda chegava cedo – entre 7h e 8h –, riscava as páginas da editoria de País e ia embora entre 16h e 17h. Nos últimos tempos, porém, o jornal que recebia em casa, em Botafogo, era muito diferente do que aquele que deixara montado. Ele era alterado de maneira substancial pela editora-executiva Silvia Fonseca, sob direção do “aquário”. Obviamente, esse processo corroía irremediavelmente não apenas o seu bom nome profissional, como sua autoridade de editora. Na terça-feira, Fernanda, que já passa por problemas sérios na família (uma de suas irmãs está com câncer), não aguentou e explodiu num bate-boca com Sílvia que, segundo testemunhas, durou, entre idas e vindas, cerca de uma hora. Após o arranca-rabo, o “aquário” decidiu “licenciar” Fernanda por três meses, oficialmente para cuidar da irmã.

O caso de Fernanda – e também o de Xico Sá, por outra vertente – indica que os veículos de comunicação brasileiros já estão derrotados na eleição deste ano, mesmo que Aécio Neves a vença. Expuseram demais suas preferências, acabando de vez com qualquer credibilidade que ainda detinham após anos de distorções. Caso Aécio ganhe, ele ficará devedor dos “barões”, sem dúvida, mas também os terá nas mãos, já que eles passarão a depender ainda mais das verbas publicitárias do governo federal (e do governo paulista, no caso dos veículos paulistas), pois, quem vai comprar jornal ou revista se não acreditar neles? Assim, obrigatoriamente, precisarão esconder os erros e malfeitos tucanos, como fizeram na época de Fernando Henrique Cardoso. A diferença, porém, é que, no século passado, não havia internet para divulgá-los. Esse processo de “esconde-esconde” de notícia será o golpe final por aumentar-lhes o descrédito. Talvez não houvesse outro jeito de lidar com a situação, talvez sim, mas agora é tarde para pensar nisso – é jogo jogado.

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4 comentários sobre “A Defenestração d’Escóssia e a Vitória de Pirro

  1. Se dependerem de mim, esses panfletos já estão enterrados; quem vai confiar nessas merdas?!

  2. Veículos podem e devem manifestar suas preferências. O problema é que fizeram as coberturas escandalosamente desequilibradas, conforme o Manchetômetro provou.

  3. Jornalista quer fazer campanha no jornal (empresa) alheio. Xico Sá que abra a suia empresa e esquerdize-se por lá, assim como fez o ex-apoiador da ditadura, Emir Sader .

    • O problema da Fernanda nem foi esse. Ela não foi é direitista o suficiente.

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