As marcas de 89

Nos 50 anos do Golpe de 64, a Globo tenta limpar a própria barra por ter dado apoio a este regime de trevas (embora, pelo seu comportamento, vá ter que fazer tudo de novo daqui a meio século) e reviu diversos temas do período – com maior ou menor honestidade. Um desses temas foi a edição manipulada do debate Lula x Collor, em 1989. Neste link, está a versão da emissora dos Marinho sobre o que aconteceu. O que está escrito é bobagem, apenas uma tentativa inútil de livrar a cara, mas os depoimentos que encerram a página – com cinco dos personagens principais do evento (faltaram apenas Alice-Maria e João Roberto Marinho) – são muito importantes.

É essencial ver todos, do início ao fim (não são muito extensos), de preferência na ordem, por mais revolta e engulhos que se sinta. Pessoalmente, o que mais me atingiu foi o último, de Octavio Tostes, o editor da malfadada e mal falada matéria. Confesso ter ficado tocado, certamente muito porque conheço, respeito e admiro o Octavio e nunca o culpei por qualquer coisa. Ele, porém, dono de grande consciência como cidadão e profissional, ficou marcado pelo que aconteceu, como se pode ver no depoimento. Fiquei a refletir: será que os coleguinhas que estão fazendo hoje, nos jornais, revistas e TVs, o que o Octavio fez, há um quarto de século, terão a mesma consciência dele? Francamente, a resposta que tenho obtido a essa pergunta não é das mais animadoras.

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