Atenção, peixes da política! Tem artilheiro na área!

Esqueçam Dilma, Aécio, Marina, Garotinho, Pimentel, Alckmin, Rui Costa… O grande vencedor dessa eleição é Romário de Souza Faria. Ele mesmo, o Baixinho, o “gênio da grande área”, como o definiu o grande Johann Cruyff, holandês sempre insuspeito de gostar de brasileiros. Segundo resultados de boca de urna, o Peixe terá inacreditáveis 62% dos votos para senador no Rio de Janeiro. Deve ter sido a maior votação proporcional para o cargo de toda a história do Estado e uma das maiores do Brasil em todos os tempos – afinal, seriam quase 2 de cada 3 votos digitados na urna eletrônica.

Há quatro anos, numa aula de pilates, logo depois de Romário ter sido eleito deputado, disse que meus colegas não se enganassem: ele seria um parlamentar muito bom. A base do raciocínio era simples – o Baixinho fez sua vida profissional num meio habitado por uma corja de fazer o Congresso Nacional parecer um convento. Boa parte de dirigentes, treinadores, empresários e jogadores (e mesmo alguns coleguinhas) são uma ótima amostragem do que de pior a sociedade brasileira pode produzir. Romário passou por eles, gingando, driblando, e mantendo a integridade. Podemos não concordar com ele no que acredita (defender a redução a maioridade penal, por exemplo), mas não dá para dizer que ele seja um escroque. Como ele sempre disse, fraqueza mesmo só tem uma: mulher.

Mas isso nem é o mais importante no que se refere ao futuro político dele. Muito mais é o fato de que, aconteça o que acontecer, o PSB vai sair desta eleição em estado de coma, se der sorte (já falei sobre isso aqui ). Destroçado pela morte de Eduardo Campos e pelo furacão Marina, o partido não tem, a bem dizer, um futuro. Não apresnenta mais liderança nacional e o seu projeto político – se é que tinha um – virou pano de chão para os marinheiros. Em quem, ou no quê, o partido se agarrará? Não vai ser num Rodrigo Rollemberg, que pode ganhar a governança do Distrito Federal, mas não passa de um político de província. Alguém o vê fazendo sombra no partido ao senador mais votado proporcionalmente do país e comandante da conquista do tetra?

Claro que a trajetória de Romário não é isenta de perigos. Deverá que continuar levando sua carreira como vem fazendo até aqui, construindo pontes e mantendo a sua habilidade de falar sempre o “papo reto” com a galera. A seu favor, agora, terá oito anos de mandato, podendo até escolher testar sua força eleitoral na disputa de um majoritário executivo em 2016 ou 2018. A bola está rolando macia e o goleiro já deu a pinta para onde vai cair – e o Baixinho, normalmente, não perdia um gols desses.