Cargas ao mar!

A coisa está preta para Abril. Os Civita estão negociando a Elemídia, a empresa líder no mercado daqueles monitores de elevador, por cerca de R$ 100 milhões, R$ 10 milhões a menos do que pagou em 2010. O comprador é o Victoria Capital Partners, fundo especializado em América Latina, acionista, dentre outras empresas, da Arcos Dorados, holding o McDonald´s na região.

Mas não é só. A Abril também negocia o aluguel de oito dos 26 andares do enorme Novo Edifício Abril (NEA), prédio erguido nos Anos FHC com bem mais do que uma ajuda do Previ, fundo pensão dos empregados do Banco do Brasil (aqui). Também para fazer caixa os Civita venderam, há pouco, 18,5% da Abril Educação ao fundo soberano de Cingapura , o GIC.

O motivo para essa queima de arquivos, você pode ver nos números enviados por um Honorável Conselheiro. De janeiro a junho deste ano, a queda na circulação conjunta das seis revistas da Abril que se encontram entre as de maior circulação no país (Veja, Ana Maria, Contigo, Tititi, Minha Novela e Viva Mais) foi de 10,91% – de 1.936.036 para 1.745.515. Tabela e gráfico são esses:

 

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O pau da barraca do grupo Abril continua sendo a Veja. Embora sofrendo queda na sua versão impressa (houve edição em junho que, por pouco mais de 2 mil exemplares, não ficou abaixo da circulação mágica de 1 milhão de exemplares), a revista tem compensado com o aumento consistente das edições digitais, embora elas venham, em sua esmagadora maioria, junto com a assinatura impressa. O problema mesmo são as outras semanais (concentradas no segmento TV/Celebridades), cujo decréscimo de circulação tem sido constante e significativo. A comparação entre Veja e as outras vai abaixo:

0914_tabela-abril_comparativo_revistas_1semestre 0914_gráfico_abril_comparativo_revistas_ 1 semestre

A conclusão é bem óbvia: a situação da Abril está piorando a olhos vistos. Por isso, ela necessita, talvez mais do que as outras empresas de comunicação, de voltar a ter um amigo no Palácio do Planalto – com a circulação decrescente vai ficar cada vez mais e mais difícil convencer os anunciantes privados que devem continuar a botando seu rico dinheirinho no meio revista com a mesma assiduidade e volume de hoje.

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Um comentário sobre “Cargas ao mar!

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