Traição programática

Eu ia terminar a Coleguinhas da semana assim:

“(…). Por enquanto, a única definição firme ainda mantida pela candidata do PSB é seu veto à fonte nuclear como possibilidade de geração de energia elétrica, mas ainda tem muito tempo de campanha pela frente e até isso pode mudar – não sei como, mas com sua imensa habilidade de dizer a coisa e seu contrário, Marina pode muito bem flexibilizar isso também.”

Só que não deu. Marina antecipou-se e não precisou avançar muito na campanha para escantear com o que restava de coerência em seu discurso político. Na sexta-feira, ela apresentou o seu programa de governo (aqui ) e não hesitou em defender o que negara, veementemente, há pouco mais de dois anos (aqui ). Só que – espere um pouco! – o dia ainda não chegara ao fim e o comando da campanha já desdissera o que a candidata abonara horas antes e Marina voltou a ser contra a energia nuclear (aqui) – pelo menos até segunda ordem.

Essa contradição toda, esse vaivém ideológico, não foi apenas um mal-entendido, como tentaram fazer crer os marinistas. Ela é, até agora, o sinal mais evidente de algo mais profundo: a total falta de consistência da candidata. Uma falta de consistência que pôde ser vista na mesma sexta, pela manhã, quando Valor, o porta-voz dos bancos, avisou:  o mercado financeiro “marinou”.

Uma decisão que não surpreende ninguém mais atento – afinal, a principal assessora da candidata é Maria Alice “Neca” Setúbal, uma das herdeiras do Itaú, mas é simplesmente inconciliável com a defesa das bandeiras do pessoal que saiu às ruas em junho do ano passado, que exigia a extensão e a melhoria das redes de saúde, educação e transporte públicos, ou seja, mais dinheiro para o social – com melhor gestão dos recursos -, investimentos esses que são os maiores alvos dos banqueiros, que sempre pregam o corte fundo nos chamados “gastos públicos”.

Assim, se assumir o Palácio do Planalto, Marina trairá alguém. E sabendo que sua principal assessora é herdeira de um dos maiores bancos do país, em quem você apostaria que vai ser passado para trás?

 
A MORTE E A REENCARNAÇÃO DO PSDB
Diante da possibilidade concreta de não só não ganhar a eleição pela quarta vez seguida como nem ir para o segundo turno, o PSDB tende a implodir e se tornar um partido-sombra, como já o são PPS e DEM e está a caminho de ser o PSB, após a morte de Eduardo Campos levá-lo a ser comido por dentro pela Rede marinista.

As fortes bases em São Paulo e Minas, porém, ainda sobreviverão e, se conseguirem superar a amargura e as mágoas mútuas da derrota humilhante, podem evitar que o PSDB termine como as outras sombras partidárias, a vagar pelo Hades político. O partido poderá encarnar em um notório candidato a candidato:o agora sumido Joaquim Barbosa.

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