Balancinho da Copa

Agora que acabou, é hora de um balancinho da Copa:

Governo: A patuscada da Seleção deu uma murchada, mas, diante da tunda alemã que os veículos de comunicação anunciaram por anos, até pode ser considerado vencedor por uns 4 a 1. Os aeroportos funcionaram, as cidades não entraram em colapso por falta de transporte, as telecomunicações bateram um bolão, não rolou apagão e as manifestações só apareceram aos 40 do segundo tempo e sem grande força. Houve as vaias a Dilmão, mas isso, como diz a própria, “são ossos do ofício” – sem contar que presidente do Brasil que for aplaudido por gente que paga R$ 1.500 para ir a um evento esportivo deve estar fazendo algo errado.

Veículos de comunicação: Pareceram a Seleção contra a Alemanha – tomaram 5 a 0 com 30 minutos e ficaram desnorteados. No início do segundo tempo, ainda tentaram uma reação (procurando empurrar aquela queda do viaduto para cima do governo federal, mesmo sendo a obra tocada por governos tucano e pessebista), desistiram de vez e caíram numa depressão mal-humorada, que se reflete agora na tentativa de dizer que a Copa não trouxe ganhos definitivos para país e que o massacre alemão vai eleger Aécio ou Dudu Campos. O melhor exemplo dessa linha é o Valor, que hoje é  a matriz do pensamento de direita mais sofisticado (Folha, Globo e Estado só mantêm o tom, de modo mais grosseiro).

Crônica esportiva: Papelão do nível da seleção de Camarões. Até os 20 minutos do jogo de 8 de julho, Felipão era o cara que nasceu para ser técnico da seleção, mesmo sendo seus resultados nos últimos oito anos o encaminhamento do rebaixamento do Palmeiras, um título no Uzbesquistão e a demissão do Chelsea, após apenas seis meses de trabalho. Não houve questionamentos sobre convocações como a de Hulk, Fred e Jô, muito menos sobre a condução tática da equipe. Nem quando Felipão chamou uns jornalistas mais amigos para um bate-papo “privé” ouviram-se protestos. Depois do desastre desenhado, porém, a chave foi virada de vez e tudo isso veio à tona, com críticas ácidas por parte de dezenas de “engenheiros de obra pronta” (neste quesito, motorrádio de pior em campo para o Edinho, que falou mal do goleiraço Ochoa por não ter pego um pênalti batido pelo Huntelaar como ensinado pelos melhores manuais do bom batedor).

Movimentos sociais: Jogaram como a Argentina na final: à espera de um erro do adversário para ver se marcavam. Ao contrário da Alemanha, que deu uns moles, o governo não vacilou na marcação e ganhou de zero.

Oposição: Sem discurso, sumiu. Perdeu por W.O.

2 comentários sobre “Balancinho da Copa

  1. Lamentável a visão do blogueiro a respeito dos movimentos sociais. Com essa esquerda, quem precisa de direita?

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