Contra o chororô, o contexto

A comissão técnica realmente deve se preocupar com esse chororô dos jogadores da seleção. Não é por uma questão de macheza, como vem se espalhando nas redes sociais – essa pocilga em que chafurda o pior do reacionarismo pátrio -, mas porque pode nos impedir de conquistar essa Copa, algo que já é bem complicado de per si, conforme já expus.

Creio que a CT poderia dar uma inovada e, na conversa com o grupo, explicar que vencer não é mais uma obrigação da seleção brasileira de futebol. Isso acontecia em outro tempo, quando o Brasil era outro. Hoje, o país briga pela quinta colocação entre as maiores economias do mundo, o que vai ser, de qualquer maneira, em 2020, qualquer que seja o governo, dado que a vamos crescer mais que o Reino Unido, com quem brigamos, nos próximos cinco anos. Mais. Nos anos 20, começaremos nossa escalada para tomar a quarta colocação da Alemanha, algo que, se não fizermos muita besteira (pouca pode), acontecerá lá por 2030.

Obviamente, temos que resolver a desigualdade social louca em que ainda vivemos e esse será o maior problema, já que há muita gente poderosa contra esse processo, como se pode ver todos os dias nos veículos de comunicação – até porque eles mesmos são contra um país mais igualitário. Mas também esse obstáculo será superado nos próximos 15, 20 anos, pois agora ele se impõe e os setores que desejam/necessitam que a desigualdade seja superada se fortaleceram de tal modo, nos últimos 12 anos, que não há mais volta no processo de tornar o Brasil mais justo socialmente.

E o que a seleção de futebol tem com isso? Nada. E é precisamente esse fato que precisa ser mostrado aos jogadores. A vitória ou derrota deles em campo não vai mudar o caminho do país, nem mesmo acelerar ou retardar o seu passo. As pessoas ficarão mal-humoradas três ou quatro dias e depois vão esquecer. Não haverá trauma como em 50 porque os brasileiros já são bem crescidinhos para encarar uma derrota no futebol sem serem abalados profundamente. O “complexo de vira-lata” ainda existe, não há como negar, mas não se encontra mais no futebol – migrou para outros setores, bem mais importantes, como a economia, a política e cultura (parte), mas já vem sendo combatido. Os jogadores podem (devem) até ajudar nisso, mas como cidadãos, não como atletas.

Essa abordagem passa muito longe do boleiro comum, e mesmo dos membros da CT, mas, creio, seria eficiente para tirar o peso que meio que foi um pouco autoimposto pelos jogadores sobre seus ombros, uma providência essencial para chegarmos ao menos à final da Copa, no dia 13.

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