A Folha e os “tarja preta”

A corrida presidencial está fazendo muito mal à Folha, aumentando o nível da esquizofrenia que sempre assolou o veículo. Na semana que passou semana, a doença empresarial atingiu novos patamares. Se já não viu por aí, veja abaixo o que saiu publicado na abertura da coluna de horóscopo da Ilustrada, na quarta-feira (28):

 campanha astrológica

 

Ainda não consegui decidir o que foi isso: a astróloga Bárbara Abramo exagerou na dose de manipulação diária exigida dos coleguinhas ou, ao contrário , foi uma denúncia das condições em que eles trabalham nesta campanha?

Só que não foi a única maluquice do jornal dos Frias na semana que terminou. Na sexta, a Folha requentou uma inacreditável “matéria” da Veja, velha de dois meses atrás, que denunciava o uso de computadores de estatais para fazer campanha contra Aécio. Na época da cascata original, não houve a menor repercussão porque o texto não tinha nem pé, nem cabeça (nem a Folha prestou atenção). O que explica mais essa maluquice? Tenho duas suspeitas, uma tática e outra estratégica:

1.Tática: No dia 23, o jornal dos Frias desmentiu, em manchete, a cascata de que o governo gastou mais com a Copa do que com educação (primeira concorrente número ao KofK de 2014). E, ainda por cima, lembrou que não daria jamais para comparar os dois números, já que gastos com Educação são a fundo perdido e o dinheiro usado na Copa é fruto de empréstimos que, como tal, serão pagos. A manchete deve ter gerados esporros gerais internos e externos (outros barões e tucanos ligando para reclamar por ter o jornal detonado uma demagogia que fazv tanto sucesso) e isso deve ter contribuído para a reação pirada lá de cima.

2.Estratégica: O pano de fundo da pirada, porém, é ainda mais grave e não só para a Folha. Não sei se você notou, mas o Nove-Dedos tem dividido a agenda, basicamente, em duas partes: usa 90% para articular as bases para reeleição de Dilmão e 10% para defender a regulação da mídia (as vezes une as duas ações numa só). Bem, agora imagine Dilmão reeleita – o que N-D faria com os 90% do tempo que teria ocioso? Creio que usaria uns 50% dele para empurrar a discussão sobre a regulação da mídia. E teria até algo concreto para levar aos auditórios: o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações . Com sua inegável liderança, alguém duvida que ele consiga as 1,3 milhão de assinaturas necessárias para iniciar a discussão do projeto no Congresso? Pois é. Se o projeto será aprovado ou não é outra história, mas só tê-lo amplamente discutido é apavorante para os “barões da mídia” (e muitos coleguinhas mais bem postos nas redações), já que boa parte do poder deles vem do fato de esse assunto ser interditado na agenda política.

É com a conjunção dessas ameaças que o pessoal da redação a Folha não está conseguindo lidar por ela expor a contradição básica do jornal: se ele só tem o “rabo preso com o leitor”, se é um “jornal da serviço do Brasil”, se é um “jornal plural” como pode evitar (ou manipular) a discussão de uma questão política tão relevante para o leitor a fim de preservar privilégios do qual é uma dos principais beneficiários?
Os remédios tarja preta vão ter ampla saída nas farmácias perto da Barão de Limeira e das sucursais da Folha país a fora.

P.S.: Seja como for, tanto a “campanha zodiacal” quanto a louca matéria requentada vão concorrer ao King of the Kings (no último caso, em dupla com a Veja).

3 comentários sobre “A Folha e os “tarja preta”

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