Força crescente

A Megabrasil  divulgou pesquisa do Instituto Corda com números sobre o mercado de assessoria de comunicação no Brasil. O ranking das maiores vai abaixo:

 Ranking das assessorias

Apesar de certa fraqueza no universo amostral – só 81 das 225 consultadas (entre as estimadas 600 no país) forneceram o faturamento bruto -, ainda assim dá para fazer algumas observações:

A.  É grande a força da FSB, cujo faturamento bruto é praticamente a soma das segunda e terceira colocadas (CDN e InPress, respectivamente).

B.  Em conjunto, as três primeiras colocadas faturaram 89,68% mais do que a soma das sete outras ranqueadas.

C.  Fora das empresas que aparecem no ranking – e de outras grandes e médias -, que vão bem, obrigado, houve estagnação no setor em geral, já que as pequenas não cresceram o que vinham crescendo, depois de anos de avanço astronômico em todas as faixas (mais aqui ).

D.  A soma dos itens A e B deverá levar a um movimento típico do capitalismo – a concentração, com as grandes abocanhando as médias e estas açambarcando as pequenas.

E.  Essa concentração tenderá a reduzir os postos de trabalho, como também é da norma capitalista.

F. A redução dos postos de trabalho fará com que a concorrência por eles aumente, exigindo maior qualificação profissional dos candidatos.

G. Não está claro, pelo menos para mim, se o item F fará com que aumente ou diminua uma tendência que detecto há anos – a crescente intenção dos formandos nas faculdades de comunicação irem direto para as assessorias sem passar pelas redações.

H. Se essa tendência se mantiver, poderá crescer uma outra – o abismo de capacitação técnica e, principalmente, cultural e intelectual, entre os jornalistas que trabalham em assessoria e em redação, em favor dos primeiros. Esse fator é, como bem disse o Alto Conselheiro que alertou para o ranking, “uma tragédia”, pois faz cair a qualidade do jornalismo praticado nas redações – que deveria servir ao público, pelo menos em teoria – ao mesmo tempo que aumenta a capacidade do jornalismo privado de influir na sociedade.

I. Uma Alta Conselheira muito mais inteligente do que eu, e que também teve acesso ao ranking, anotou um outro ponto muito interessante, que é o combustível do processo acima: a elevada relação faturamento bruto/número de funcionários no segmento. Essa abordagem muda o ranking:

1.Insight: R$ 313,8 mil/funcionário.
2.FSB: R$ 283,4 mil/funcionário.
3.Grupo Máquina: 257,2 mil/funcionário.
4.CDN: R$ 210 mil/funcionário.
5.InPress: 192,1 mil/funcionário.
6.Edelman: R$ 182 mil/funcionário.
7.Jeffrey Group: R$ 176 l mil/funcionário.
8.MSL: R$ 150 mil/funcionário.
9.Comunicação +: R$ 137 mil/funcionário.
10.RMA: R$ 111,2 mil/funcionário.

Observe-se que essa significativa relação se baseia, num elevado número de vezes, na burla à legislação trabalhista, já que é quase norma no segmento que os profissionais tenham seus contratos de assinados como pessoa jurídica. A prática reduz os gastos do patronato e aumenta a já natural mais-valia, permitindo, assim, às assessorias de comunicação acelerarem o item H, não só obtendo os jornalistas mais capacitados quando se formam como recuperando-os, caso eles tenham ido parar em redações.

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