Pesquisa rima com eleição, redação e especulação

Por falar em especulação, economia e coleguinhas, está ficando cada vez maior e mais esquisita essa ligação entre a cobertura política – mais especificamente a da campanha eleitoral – e a de economia. Claro que isso não é novidade, mas, ao que tudo indica, está a atingir um novo patamar esse ano.

Na semana que passou, houve claro vazamento de parte da pesquisa da Datafolha, divulgada hoje, que apontava uma queda da aprovação do governo de Dilmão (já apontada pela CNI/Ibope há duas semanas) e também a de intenção de voto na corrida presidencial. A consequência foi uma grande valorização das ações das estatais, que serão privatizadas caso Aécio ou Dudu Campos sejam eleitos.

Esse vazamento já seria ruim o suficiente, só que, ainda por cima, ele foi seletivo – falou da queda de Dilma, mas não se disse que os seus dois adversários se mantêm estacionados e a atual presidente continua a vencê-los em primeiro turno, com facilidade. A única hipótese de segundo turno, no momento, só com Marina na cabeça de chapa, algo que, a princípio, não parece estar nas cogitações de Dudu e do PSB (nas de Marina e seu pessoal não tenho tanta certeza).

E os coleguinhas com isso? É que foram eles os veículos da disseminação do vazamento, sempre apresentando o salvo-conduto de que era o “mercado” que estava falando sobre a pesquisa, levando à especulação. Mas – quer saber? – depois de tantas eleições já estou começando a duvidar da honestidade das intenções dos coleguinhas. Começo a ter sérias suspeitas de que há gente nas redações lucrando com esse sobe-e-desce de ações na Bolsa provocadas pelas pesquisas eleitorais. Claro que os coleguinhas da Folha ficam mais ainda sob suspeita – afinal, os Frias são também donos do Datafolha e, nesse caso específico, a fonte dos dados usados para a manipulação -, no entanto, é bom nós, leitores, abrirmos bem o olho, pois desconfio que a especulação (financeira) está comendo solta em muitas outras redações.

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