Tem que respeitar

Você deve ter sabido da pesquisa do Ipea sobre a tolerância social a respeito da violência contra a mulher, na qual se descobriu, por exemplo, que 65,1% da população da acha que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” (é o gráfico 24 da pesquisa, que você pode acessar aqui) . O levantamento provocou muitas reações, mas nenhuma me parece tão interessante quanto a que está acontecendo na redação do Diário de Pernambuco.

No jornal lá da terrinha, os jornalistas, de ambos os sexos, começaram a campanha #vaiterquerespeitar para protestar contra os 65%. Não me recordo de uma redação ter jamais se manifestado dessa maneira sobre um assunto desse tipo. Claro, houve a resistência possível à ditadura, apoio às Diretas-Já, greves etc. Mas manifestar-se publicamente sobre um tema específico como esse, juro que não lembro.

A ação dos coleguinhas – altamente meritória, na minha modesta opinião – abre, entre outras, discussões sobre o assédio moral nas redações e sobre a questão da neutralidade jornalística (num caso de agressão de homem contra mulher, um profissional do DP que participou da campanha seria neutro? E num caso contrário – sim, eles existem! -, ela/ele não seria mais condescendente com a agressora?). Até o momento em que escrevo, a direção do jornal não tinha tomado uma posição sobre a campanha lançada pelos seus profissionais. No entanto, a foto do perfil do DP no FB é bem significativa. (aqui)

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Um comentário sobre “Tem que respeitar

  1. Que iniciativa bacana! Parabéns para os colegas do DP.

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