O bombardeador gente boa

Depois do cafetão que se apaixona, o Brasil apresenta ao mundo um novo personagem criminoso inverossímil: o bombardeador pacífico. A versão do tal Fábio Raposo, que confessou ter passado o rojão para o cara que o disparou, atingindo o coleguinha Santiago Andrade, da Band, tem mais furos que um ralo de pia. Vou apresentar só os três mais absurdos:

1. Ele diz que foi à manifestação sem intenção de brigar, mas, ao ver uma bomba cair no chão – ele identificou o rojão como bomba até na matéria da Globonews , dois dias depois, imagina na hora –, a pegou, mas não tinha intenção de machucar ninguém com ela. Ia fazer o quê? Doá-la a um museu?
2. Depois de pegar o artefato, entregou-o para um cara desconhecido que disse (palavras dele) “passa pra mim que eu jogo” . Ou seja, se não tinha intenção de machucar ninguém com o artefato de artilharia que tinha em mãos, passou, conscientemente, a alguém que ele sabia que tinha;
3. Fábio diz que vem recebendo ligações de pessoas desconhecidas tentando obrigá-lo a assumir a culpa pelo crime. Como é que pessoas desconhecidas conseguiram os telefones dele? Pela foto que apareceu nas mídias sociais? Mediunidade?

O que provavelmente aconteceu…Fábio levou o rojão para mandar em cima dos PMs, mas, na hora do vamos ver, encagaçou-se e passou a arma para o cara mais decidido que aparece nas imagens recebendo-a das mãos dele, provavelmente, o líder da sua célula “black bloc” (insistiu demais que foi sozinho à manifestação, um erro na montagem do discurso de “garoto-legal- pego-na-confusão”). Este mandou o rojão para qualquer lugar que tivesse bastante gente (e não só PMs), a fim de garantir que alguém realmente se machucasse. Quando viu que o vacilão Fábio foi flagrado, o tal líder ameaçou arrebentá-lo (ou coisa pior) se não assumisse a culpa. Aí, já completamente borrado, ele se apresentou e contou a história da carochinha lá de cima.

Na boa? Desde setembro, quem vai a essas manifestações é com intuito de machucar alguém – de preferência, mas não necessariamente, um PM. Elas viraram brigas de gangue, de torcida organizada, só que com “black blocs” de um lado e PMs de outro. Ninguém dos dois lados se dá realmente mal, ao contrário de gente como Santiago e aquele serralheiro paulista, o do fusquinha incendiado.

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