Sai um picadinho de imprensa!

Que estou ficando velho a cada dia é óbvio, mas creio que meu cinismo anda aumentando mais rápido do que a idade – ou, então, estou mais condescendente com os coleguinhas, que encontram dificuldades de me tirar do sério. Veja só como ando velho e de coração mais duro (ou miolo mais mole):

1.Rolezinhos: Os jornais foram até bem na cobertura. Houve apenas um problema geral – a tentativa de desqualificar o aspecto político dos atos, argumentando que eles são apenas manifestação de jovens cujas ânsias de consumo estão sendo frustradas – e um particular: a Folha deu uma manchete maluca – e, ainda assim, tão típica -, baseada numa pesquisa que condenava os rolezinhos, mas, ao mesmo tempo, considerava que não devia barrar ninguém em shoppings. Em sua determinação de tropicalizar o jornalismo americano (ou o que entende por isso), a Folha adora uma pesquisa , apesar de todas as críticas a esse tipo de abordagem, como a que está aqui. No geral, porém, ideias múltiplas foram ouvidas, o que é raro em casos de manifestações sociais, embora tenha sentido falta de alguém ir lá na periferia de São Paulo a fim de ouvir diretamente participantes dos rolezinhos com mais profundidade (pode até ter tido essa pauta, mas não vi sendo contemplada).

2. Luiza Trajano x Diogo Mainardi: Houve um certo rififi sobre uma discussão entre a Luiza Trajano e o Diogo Mainardi, durante o Manhattan Connection (aqui). Achei exagero por dois motivos: o primeiro é que o MC, mesmo em seu auge – que passou há muito – não merecia lá muita atenção por ser apenas uma reunião de senhores (e, às vezes, senhoras) para mostrar que moram na Grande Maçã (ou vão lá com a mesma frequência do que na padaria da esquina), não influindo em coisa alguma; segundo por que, mesmo nessa fase, o Mainardi jamais passou de um bobo da corte, função para a qual nasceu e desempenha cada vez melhor. Nesse caso mesmo, só a Luiza Trajano levou o cara a sério (prometeu e enviou dados para corrigir aqueles que Mainardi tinha chutado e foram desmentidos, na hora, pelo economista amestrado presente e pelo Lucas Mendes). O Lucas, aliás, até disse para ela não dar bola pro Mainardi, enquanto o Caio Blinder só fazia rir do bobo.

3.Alstom, Siemens e tucanos: Estadão e Folha estão se saindo bem em cobrir o caso do propinoduto tucano abastecido por Alstom e Siemens em São Paulo. Claro que se sairiam melhor se o caso envolvesse petistas, quando teriam ido em cima, repetidamente, de todos os citados no caso, mesmo que de passagem. Jamais deixariam em paz, por exemplo, o Robson Marinho, chefão do governo Mário Covas – e tão poderoso entre homens e tucanos que hoje está no TCE paulista. Se fosse um petista, a essa altura saberíamos até o nome e as preferências de sua mulher, filhos e amantes. Mesmo com essa diferença de tratamento, os jornais paulistas têm dado manchetes ou chamadas de capa para o propinoduto, forçando O Globo a, pelo menos, dar algumas materinhas, mesmo sem destaque.

4. Dirceu: Em compensação, dentro em pouco, saberemos até o que o Zé Dirceu está comendo no refeitório da Papuda e a que horas vai descomer . Tudo o que o cara faz é reportado, às vezes de maneira hilária, como aquela matéria do Estadão em que é chamado de “xerife” da sua ala. Ri à beça dessa.

5. Genoino: No mesmo assunto, houve registros, meio constrangidos, de que o José Genoino tem apoio de cidadãos suficiente para conseguir quase R$ 700 mil em dez dias, mais do que necessário para pagar a multa imposta pela Justiça. Imagino se ele não tivesse obtido a grana – leríamos e ouviríamos  que os brasileiros, em peso, referendaram o tratamento dispensado a ele. O Joaquim Barbosa, por exemplo, estaria sendo ouvido sobre o assunto em cada momento de seu périplo pelo exterior.

6. O périplo de Barbosa: Aliás, as doces andanças do presidente do Supremo pela Europa e EUA foram quase solenemente ignoradas. Só não o foram completamente porque ele se dignou a vir a público reclamar dos pares sobre o colo dos quais tinha jogado a responsabilidade de decretar a prisão de João Paulo Cunha e Roberto Jefferson (não podemos esquecer desse, como fazem os jornais) e que, obviamente, devolveram o presente de grego.