Quem paga para ler tanta notícia?

Alan D. Mutter, segundo ele próprio é, provavelmente o único CEO do Vale do Silício – onde é executivo desde 1996, após uma bela carreira em Chicago e São Francisco – que sabe datilografar uma carta. Por isso, seu blog chama-se “Reflections of a Newsosaur”. Nele, Mutter analisa o mercado jornalístico de um ponto de vista amplo e suas conclusões sobre as tentativas de migração dos veículos de comunicação impressos para o meio digtal não é das mais animadoras.

Basicamente, Mutter diz que as pessoas não estão a fim de pagar para ler notícias on line como estão (ou estavam) dispostas a fazê-lo na mídia impressa. Apesar de o Wall Street Journal ter 37,6% de seus leitores assinando ambos os tipos de mídia, número que o NY Time quase alcança (34,4%), os jornais da Garnett , a maior rede do setor nos EUA, são um lamentável fracasso neste campo, atingindo apenas 2,2% dos seus 3 milhões de leitores.

Mesmo o WSJ e o NYT, no entanto, não podem vangloriar-se de sucesso, segundo Mutter. Ele compara o número de assinantes das edições digitais dos dois jornais (900 mil e 700 mil, respetivamente) com o do Netflix (29 milhões), Spotify (6 milhões) e outros. À primeira vista, não é uma comparação correta ou mesmo justa – afinal, notícias são notícias e entretenimento é entretimento, certo?

No entanto, do ponto de vista do bolso e do relógio do consumidor, ela faz sentido. Afinal, o dinheiro sai da mesma parte do orçamento – aquela destinada ao item “lazer e outros” – e o dia continua tendo 24 horas para se gastar neste item. Por que, então, uma pessoa que já paga TV por assinatura e acesso a internet, que incluem canais de notícias e facebook, google+ e outras fontes de informação gratuita, pagaria para ler informações que ela pode ter de outras fontes por um preço menor ou até mesmo “de grátis” e ainda por cima de maneira mais fácil e rápida?

Mas vou deixar que você mesmo faça suas reflexões lendo as do post do “notissauro”.