Conservadores 1 x 1 Manifestantes

Numa avaliação com uma semana de distância, não tenho dúvidas de que os conservadores empataram, no 7 de Setembro, o jogo por um país melhor que teve um novo tempo iniciado em junho (só para esclarecer, os conservadores são contra). Em vez das causas dos protestos no Dia da Independência – entre eles a melhoria dos sistemas públicos de saúde, educação e transportes – o que ficou foi a percepção de violência desnecessária e inútil.

Um relatório de uma das maiores agências de comunicação do país aponta nessa direção. Ele diz que os protestos foram amplamente repercutidos nas redes sociais:

Twitter – 27 mil mensagens trocadas e 17 milhões de perfis alcançados, em 12 horas;
Facebook – 62 mil publicações (compartilhamentos e curtições) em 16 horas.

Números ótimos se estivessem falando daqueles assuntos lá de cima. Infelizmente, posts e compartilhamentos referiam-se, esmagadoramente, à violência ocorrida durante os protestos. Como seria de se esperar quando se fala desse tema no Brasil, a PM foi a grande estrela negativa, ficando em segundo lugar, também obviamente, os governos estaduais, que comandam as PMs. O compartilhamento campeão, segundo o levantamento, foi o da imagem de um PM que estaria apontando uma arma para um manifestante, com 1.215 compartilhamentos. A maior parte dessa visibilidade das PMs ficou por conta da mídia alternativa, Mídia Ninja à frente, graças à capilaridade e à motivação de suas redes, de acordo com o relatório.

No entanto, os bravos manifestantes não devem comemorar muito. Depois da PM e dos governos estaduais, foram eles próprios os que saíram com a imagem mais arranhada no 7 de Sete de Setembro. Houve um número significativo de críticas a grupos classificados como violentos, centrada especialmente naqueles que usam a chamada tática black bloc.

Esse resultado demonstra que a estratégia conservadora de identificar manifestação com violência, construída aos poucos depois das manifestações de junho, funcionou. Durante dois meses, especialmente durante as duas ou três semanas anteriores ao 7 de Setembro, os veículos de comunicação tradicionais bateram na tecla do perigo que seriam as manifestações. Para disfarçar, centraram fogo primeiro naqueles que os ameaçavam mais diretamente – a mídia eletrônica alternativa, principalmente a Mídia Ninja -, acusados de incitarem a violência; depois passaram a atacar o black bloc. Dessa forma, conseguiu-se fazer o cidadão comum ficar com medo das manifestações e contra os manifestantes, retirando assim o seu apoio a eles e esquecendo pelo que eles protestavam.

No entanto, essa campanha faz parte. Não se poderia esperar que, depois que ficou claro que a manifestações de junho não eram exclusivamente – e nem principalmente – contra o governo federal, os veículos de comunicação apoiassem os manifestantes (o que fizeram em junho, aliás, só depois que identificaram a chance de ferir Dilma de morte, como mostrou claramente o comportamento de Arnaldo Jabor). Assim, o negócio é continuar batalhando para melhorar o país no dia-a-dia e indo para rua sempre que necessário. Sem medo.