Freada de arrumação

Em boa hora Dilmão resolveu dar um passo atrás e tirou de circulação a ideia de uma Constituinte exclusiva para tratar da reforma política – era uma brecha para a perda dos direitos sociais inscritos na Constituição. Mas manteve o plebiscito sobre a reforma política e, consequentemente, o debate político.

E o passo atrás pode virar dois à frente, dependendo das perguntas a serem feitas no plebiscito, mas aí que mora o perigo. Uma coisa é perguntar “o financiamento das campanhas políticas deve ser público?” e outra a coisa é a pergunta ser “as empresas devem ser proibidas de financiar campanhas políticas?”. A resposta para a primeira, dada a baixa taxa de politização do eleitorado brasileiro, muito provavelmente seria “não”, já para segunda seria “sim”. Tem que ver isso bem de perto.

Agora, três comentários rápidos:

– O Joaquim Barbosa mantém-se no estilo de protoditador ao querer reduzir o poder dos partidos, em vez de depurá-los e fortalecê-los, como faria um verdadeiro democrata. Repito: esse sujeito tem tudo para ser o maior desafio que a ser enfrentado pela democracia brasileira. Uma reforma política que amplie os canais democráticos é essencial para barrar o caminho desse ditador em potencial.

– As passagens baixaram e a PEC 37 não passou. Beleza. Mas, de novo: “é a reforma política, estúpido!”.

– Minha mãe, velhinha (senhorinha é cacete) de 75 anos, desistiu de ir ao cabelereiro, amanhã de manhã, em Botafogo, por medo das manifestações. Não adiantou dizer que as manifestações não estão sendo feitas de manhã. Ela está com medo e, pelo que ouço nas ruas, não só ela. Isso não é bom.