Transparência no dos outros

Por falar em demissão, um conhecido colunista carioca perdeu seu emprego semana passada. A versão oficial – de que ele quer dedicar-se somente à função de cronista, que exercia no mesmo jornal – é falsa. O jornalista saiu porque foi acusado de assédio moral contra uma repórter, apoio de sua coluna, o que foi comprovado por diversos testemunhos, inclusive de sua sub – que, por ora, assina a coluna, mas bem pode assumir a titularidade – e dois editores. O colunista voltará às páginas do jornal, como cronista, mas só mais para o fim do ano, já que, como seu contrato mudará, com redução salarial, será necessário esperar seis meses, como determina a legislação trabalhista.

O assédio se deu porque a profissional mora fora do Rio e chegava constantemente atrasada, devido aos congestionamentos. Os atrasos eram de poucos minutos, mas, ainda assim, havia sempre chamadas, durante as quais o colunista fazia questão de pontuar o fato de que a moça morava numa cidade localizada do outro lado da Baía de Guanabara e que não goza de boa reputação social. Consta que também dizia à repórter que ela não poderia retornar à editoria de onde ele a tirara, devido à falta de vagas.

Dois editores souberam do caso e o levaram, em diferentes momentos, à chefia da redação. Esta chamou a sub do colunista, que confirmou totalmente a história. Também pesou na demissão o fato de que outros repórteres saíram da coluna acusando situações semelhantes.

Infelizmente, as informações passadas pelo jornal sobre o caso a veículos especializados na cobertura de mídia não foram totalmente corretas, evidenciando que a transparência tão cobrada pelos veículos de toda a sociedade não é levada a cabo por eles.

6 comentários sobre “Transparência no dos outros

  1. Só não entendo por que omitir o nome do colunista…

    • Por que, Fernanda, se falasse dele, teria que falar da moça. Não estou cuidando da privacidade dele, mas da dela (sem contar da de outros envolvidos, que agiram bem, como os dois editores). Além disso, o problema não é (apenas) o caso em si. A questão é maior: por que os veículos de comunicação, que tanto cobram (justamente) transparência de outras instituições, não a praticam?

      • Sim, vc tem razão no que diz respeito à necessidade de preservar a identidade dos demais envolvidos. Mas discordo da análise de que se vc citasse o nome do colunista teria que revelar o nome da vítima. A demissão do titular de uma coluna de um grande jornal por assédio moral é emblemática, um avanço nas relações trabalhistas na área de comunicação, especialmente no que se refere à grande imprensa. E se “os veículos de comunicação, que tanto cobram (justamente) transparência de outras instituições, não a praticam?”, sites como o “Coleguinhas” também não devem se furtar, usando de meias palavras. Mas ok, não quero polemizar, respeito sua avaliação. Um grande abraço.

        • Discordo, Fernanda. Se revelasse o nome do colunista, sem revelar o da vítima, estaria incorrendo no “dois pesos e duas medidas” que é a principal crítica do post.

  2. O Ivson foi gente boa em não dizer o nome, já o demitido…

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