Cinco minutos de autocrítica

Faço autocrítica sobre o post “Cinco minutos”. Fui injusto com Gilberto Scofield, editor da Rio do Globo e sujeito oculto (bem, nem tanto assim…) do texto. Gil é bom caráter, um sujeito que tem até minha admiração por ter assumido, sem medo, sua homossexualidade há muito tempo. Errei a mão mesmo. Peço perdão a ele.

No entanto (pois é, sempre tem, né?), mantenho a crítica ao modo como ele expõe o trabalho dos outros. O fato, como diz, fazê-lo desde que era repórter e não apenas agora, que é editor, não é um bom argumento. O problema não é de posição hierárquica, mas de respeito ao trabalho alheio – embora também não haja dúvida, a meu ver, que o poder advindo do fato de ele ser chefe da editoria de cidade do maior jornal da segunda maior cidade do país, dê um peso muito maior às críticas por ele desferidas, sem que os criticados possam responder, como ele teve a liberdade de fazer comigo.

E esse era o ponto essencial do texto – a assimetria de poder entre os jornalistas que trabalham nas redações e o resto da sociedade. A preponderância dos primeiros sobre a segunda é uma ameaça constante à democracia. Um problema não só aqui no Brasil, vale dizer, como prova a recentíssima regulamentação da mídia levada a cabo pelo Reino Unido, instituição há séculos exemplo de apreço pela liberdade de expressão e pelo seu corolário mais famoso, a liberdade de imprensa. É perfeitamente compreensível que o Gil tenha, muito justamente, levado a discussão para o lado pessoal, mas apreciaria muito que ele também refletisse, como todos os coleguinhas, sobre essa questão política mais ampla.

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