Bloco Desunidos da Eleição vai pra rua

Dilma vai para o início do ano (começa só essa semana, após Carnaval, certo?) anterior à eleição em que lutará pelo seu atual emprego com o seguinte panorama:

1.Economia: Já falei isso aqui (e aqui, em outro contexto) – o povo gosta mesmo é de inflação baixa e emprego (nessa ordem). PIB não entende o que é e nem como isso afeta a sua vida – o que é explicável por uma questão temporal: inflação e desemprego afetam as contas logo no fim do mês; o PIB entra nas contas lá no fim do ano, se tanto, e nunca diretamente. Assim, se for para baixar a inflação para algo em torno de 5%, pode aumentar os juros e ouvir empresário reclamando e crítica da imprensa (essa vai bater de qualquer maneira mesmo), pois a reeleição estará ao alcance das mãos.

2.Política: Aqui a situação está um pouco mais clara desde que Dilma resolveu – ao seu estilo – acelerar e botar a campanha de 2014 na rua, com aquele pronunciamento sobre o setor elétrico. Chamou todo mundo pro ringue e aí foi um desarvorar de candidatos. Aécio submergiu ainda mais fundo – deve estar no fundo das Fossas Marianas(procura no Google) a essa altura -; Dudu Campos começou a andar na ponta dos pés, pois o muro ficou mais estreito e curto; Marina passou a bater no tambor conjurando um partido-cambono no qual possa encarnar sua candidatura; e até o Nove-Dedos (Sim! Ele é candidatíssimo!) avançou, tentando embaralhar o jogo com o PMDB e vazando advertências à sucessora sobre o seu possível enfraquecimento exatamente para impulsioná-lo.
Essa movimentação tende a fazer com que a próxima eleição já tenha enchido o saco antes mesmo de dar a largada. Uma situação que, normalmente, leva mais água ao moinho de quem está no poder, pois a tendência é que o eleitor, desanimado, vote em quem já está lá, adiando uma mudança que ele não sabe bem para onde poderá levar a sua vida. É aquela coisa: maluco por maluco, preferimos sempre aquele de quem conhecemos as doidices.
Outro ponto a favor da Dilma é que ela tem algo que os outros não têm: a caneta. Vamos ver se ela sabe usá-la agora na tal reforma ministerial. Não é bem se ela vai conseguir agradar a todos – isso é impossível -, mas a quem ela vai escolher desagradar, o quanto e de que forma.