Orelhas quentes

Primeiro, o Reinaldo Azevedo, mas esse não conta. Na quinta, foi a vez O Globo dar um um piti na página 3 – afinal, por onde anda a oposição? O esporro dos Marinho ficou por conta de nenhum dos oposicionistas ter ido à tribuna comemorar a inflação de 0,86% em janeiro e essa motivação expõe, claramente, a angústia em que vivem os partidos de oposição.

O que O Globo e os outros membros do partido da imprensa não conseguem entender (ou conseguem, mas não querem nem saber) é que comemorar algo que é ruim para o povo tira votos, não os conquista – e como voto é o que decide eleição… O problema, porém, é ainda mais profundo e eu já escrevi aqui algumas vezes – a oposição política brasileira não tem um projeto de país. Não sabe o que quer para o futuro do Brasil depois que suas antigas crenças (das décadas de 80 e 90 do século passado) foram ultrapassadas pelos fatos externos (crise de 2008 em diante) e internos (avanço econômico do país nos últimos 10 anos).

Como não tem projeto ou ideia de que caminho seguir, tucanos e demos (o PSB ainda não sabe nem se é oposição) ficam à mercê dessas descomposturas escritas absurdas. É, absurdas. Afinal, o que apontam os barões de mídia com as cobranças? Querem um diálogo mais ou menos assim entre o candidato tucano em 2014 e um dos 70 milhões de brasileiros que subiram de classe social na última década:

– Bom dia. Meu nome é Aécio Neves e sou candidato a presidente da República. O senhor/a senhora tem um minuto?
– Se for só um minuto…Estou muito ocupado/a.
– Não, é rapidinho. Gostaria de pedir seu voto. Se for eleito presidente, prometo evitar que o senhor/ a senhora continue a melhorar de vida, cortando os planos de inclusão social do atual governo, afrouxando a vigilância sobre os planos de saúde e empresas de telefonia, aumentando os juros para ajudar os bancos  e liberando as tarifas de energia. Farei muito mais, mas como só tenho um minuto…Posso contar com seu voto?

Sentiu o drama? O Sérgio Guerra, presidente do PSDB, até diagnostica bem na matéria de quinta do Globo: a oposição não consegue mexer no imaginário, nos sonhos dos eleitores – e eleição é vender sonhos. O problema está identificado, mas resolvê-lo é conversa bem diferente. Qualquer que seja a resolução da oposição, porém, uma coisa é certa: ela não pode seguir o caminho indicados pelos veículos de comunicação. Se for trilhado, levará a mais uma derrota ano que vem.