Literatura contra a cascata matemática

Desculpe, mas eu me divirto à beça com essas cascatas matemáticas que os coleguinhas impingem aos pobres dos leitores que ainda teimam em confiar neles. Aproveitando o tema energia elétrica, tem essa aqui, que apareceu antes da catarata do racionamento, mas ganhou força com ela: a queda da tarifa de energia vai ficar longe do que a Dilma prometeu, 20%.

Olha o raciocínio dos colegas – se o governo disse que haverá um aumento de 3% a 5% nas contas de luz, ao longo de 2013 e 201, logo a queda será uns 15%. Simples e brilhante, né? Mas…

Vamos pegar uma conta de R$ 100. Com o desconto da Dilma, ela vai a R$ 80, já em março. Porém, devido ao uso das térmicas, vamos dizer, que haja um aumento, lá em setembro, de 5%. O valor da conta passará a ser de R$ 84. Parece que os coleguinhas têm razão – afinal, são apenas 16% de diferença. Só que…

Se não houvesse o desconto da Dilma, os 5% incidiriam sobre R$ 100, levando o valor da conta de luz a R$ 105,00. É com esse valor que deve ser comprado os R$ 84 do parágrafo anterior. O desconto será de exatos 20%.

Bom, como sou um jornalista à antiga, sempre que posso aponto o problema e sugiro uma solução para ele. Assim, como os coleguinhas têm mesmo um sério problema com a aritmética, proponho que eles leiam o maravilhoso “O homem que calculava”, de Malba Tahan (que Alá o tenha em sua glória!) para ver se desenvolvem o raciocínio matemático, nem que seja só um pouquinho – aliás, os professores das escolas de comunicação bem que poderiam obrigar os seus alunos a lê-lo para tentar incutir esse mínimo de raciocínio já na faculdade.

E para que ninguém possa dizer que não tem dinheiro para comprar o livro (que custa uns R$ 20), aqui está um lugar para baixá-lo em pdf.

3 comentários sobre “Literatura contra a cascata matemática

  1. Brilhante sugestão Ivson! Infelizmente já não estou em sala de aula, mas vou repassar para meus companheiros, estejam ou não em atividade. Aliás, continuo a dar de presente para adolescentes conhecidos os livros do Malba (menos conhecido com Julio Cesar de Mello e Souza), um cristão que entendia e apreciava os muçulmanos, sem nunca demonizá-los. Oxalá sejam muitos a seguirem tua sugestão.

    • Seria legal, né, Sanz? Aqueles alunos todos de comunicação lendo Malba Tahan ao lado de Barthes (ainda leem Barthes na faculdade?).

      • Sabe que eu não sei se ainda leem Barthes… Nas acho que algum professor dedicado, que não se tornou completamente cético, deve recomendá-lo. Grande abraço.

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