O Globo, as estratégias empresariais e a política

Há alguns anos, O Globo decidiu seguir a fórmula dos grandes jornais paulistas e passou a investir forte na cobertura regional, no caso, do Estado do Rio – mais especificamente da Zona Sul da capital e Barra da Tijuca -, deixando em segundo plano a cobertura nacional, que passou a ser apenas braço da luta política das Organizações Globo contra o projeto de país desenvolvido de 2002 para cá.

Em 2013, essa configuração pode passar por um solavanco que mostra como as decisões empresariais, às vezes, esbarram nas políticas. No caso dos royalties do petróleo, o jornal do Marinho, obviamente, está do lado do Rio de Janeiro, que será grandemente prejudicado se aquele dinheiro todo sumir de ser orçamento. No entanto, um dos líderes dos estados que estão lutando para retirar os royalties dos fluminenses é senador Aécio Neves, que, como não poderia deixar de ser, defende mais grana para suas Minas Gerais. O mesmo Aécio Neves que é o candidato preferencial das Organizações Globo para disputar a eleição presidencial de 2014 (o outro candidato, menos querido, Eduardo Campos, também lidera a campanha anti-Estado do Rio, em nome de Pernambuco).

Obviamente, O Globo está passando olimpicamente por essa contradição, mas, também é claro, que o governo, durante a campanha que se avizinha lembrará o fato aos fluminenses.

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