Notas natalinas

Domingo antevéspera de Natal é bom dia para lembrar fatos que andaram passando batidos:

1. Pizza do Cachoeira: Os jornais, por motivos óbvios, esconderam como puderam, mas não dava para ignorar: a tal CPI do Cachoeira acabou em pizza por conta de um acordo do PSDB com o PMDB, pois, apesar de todos os esforços, só se conseguiu achar apenas pegadas de tucanos – especificamente do governador Marconi Perillo, nas malandragens do bicheiro goiano Assim, os peessedebistas puderam matar um pouco da saudade do poder – na Era FHC, eles se mostraram mestres no extermínio de CPIs, em casos como a privataria do Sistema Telebrás, da compra de votos para a reeleição do FHC (mãe do chamado mensalão tucano e avó daquele julgado pelo STF) e da Pasta Rosa.

2. As razões do negão: Ainda no assunto, tem um pessoal decepcionado com a decisão do Joquinzão de não decretar o “teje preso” dos chamados mensaleiros. Galera, o cara tem suas razões “Para quê forçar a barra?”, deve ter pensado o herói. Afinal, o que ele queria, ser alçado a paladino da Justiça, já tinha sido alcançado. O máximo que ele iria conseguir com a decisão de mandar prender os já condenados era brigar com todos os colegas do STF, a quem terá que presidir/aturar nos próximos dois anos, correndo até o risco de ser desautorizado por eles, com base na decisão do próprio Supremo, de 2009, que, em nome da ampla defesa, permite aos réus só serem presos após o julgamento do seu último recurso.

3. Manual Millenarista: O pessoal do Instituto Millenium (aqui, para quem não conhece ) deu sua dica de presente de Natal: o livro “A revolta de Atlas”. A obra de Ayn Rand, que já foi alçada até a segunda mais influente da História, só perdendo da Bíblia, é apontada pelos millenaristas como a solução final (com trocadilho histórico, por favor) para os problemas dos brasileiros. Beleza. Só que, publicado em 1957, nos EUA, em plena Guerra Fria, um ano após o desmascaramento de Joseph McCarthy, o livro tem tanta utilidade para o futuro do Brasil quanto o “Manual do Escoteiro Mirim”, editado pela empresa daquele outro simpatizante da direita, o Walt Disney.

No mais, é desejar a você e a toda família um Natal de muita paz, saúde e amor.

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