Tirou daqui!

A ideia do Marco Maia de dar “asilo político” na Câmara aos parlamentares condenados pelo STF é maluquice. No entanto, a ideia em si estava na minha cabeça desde que o Roberto Gurgel e Joaquinzão armaram a arapuca de esperar o resto dos ministros do STF sair de férias para pedir a prisão dos caras.

O enredo que estava na cabeça desse fã dos romances do John Le Carré é mais ou menos assim. Um cassado e caçado pelo STF – vamos pegar o Zé Dirceu, para facilitar a argumentação, mas vale para qualquer um – pega um carro e adentra o portão de uma embaixada – vamos dizer, Cuba, no caso do Zé – e pede asilo político. Nenhum embaixador do mundo expulsa um cara que pediu asilo. O governo do país até não concedê-lo depois, mas expulsar, o embaixador não expulsa.

Daí, entraríamos num terreno movediço, que dependeria de que quem pediu asilo onde. No caso do Zé Dirceu, creio que Cuba não hesitaria em conceder, até pela histórica relação do solicitante com o país. Doideira? Nem tanto, pois foi o que aquele ceguinho chinês fez e agora vive no bem-bom na terra do Tio Sam (recorde aqui).

Só que, como sou fã de romance de intriga internacional, vou além. Uma vez em Havana, e depois de um tempo razoável – uns três anos ou quatro anos por aí -, Zé pediria a cidadania cubana e – só para apimentar a coisa -, com suas ligações, conseguiria um passaporte diplomático. Aí seria o ó. Ele poderia passear pelo mundo, aqui inclusive, denunciando ser perseguido por um poderosíssimo juiz, mancomunado com a parte mais retrógrada da sociedade brasileira, inclusive a grande imprensa. E, como você sabe, sempre tem alguém pronto a ouvir um asilado, imagine o furdunço internacional que ele poderia armar nos próximos anos.

Na boa, seria divertido, não seria?