De gênio

Tem que tirar o chapéu para a elite brasileira. Esse voto do ministro Celso Mello sobre o tal mensalão é um primor em termos de acordo político. Tudo bem que o meritíssimo do STF teve um bom tempo para costurar o acerto durante a gripe caô da semana passada, mas valeu – o que saiu foi uma obra-prima que encanta por resolver uma questão complexa com elegante simplicidade. Ao botar em seu voto que os deputados condenados só perderão o mandato apenas após todos os recursos interpostos transitarem em julgado, Mello praticamente garantiu que nenhum deles deixará o Parlamento antes de cumprir o tempo para o qual foram eleitos.

Veja…Sabemos todos que o sistema judiciário brasileiro apresenta um sem-número de possibilidades de procrastinação. São petições, embargos,pedidos de esclarecimento de votos, o escambau, destinados exclusivamente a manter os condenados longe das punições o maior tempo possível. Com os advogados que têm, os deputados poderão enrolar com certa tranquilidade até 2014, quando seus mandatos terminariam mesmo.

A beleza do voto de Celso Mello se revela em todo seu esplendor, porém, quando encarada pelo lado da Câmara. Ela também poderá recorrer da decisão de que deve apenas contentar-se em virar uma vara de execuções do STF e, assim, jogar a tal declaração para as calendas ou, pelo menos, para bem depois de 2014.

Seguindo esse roteiro traçado por Celso Mello, a tal crise institucional em que a decisão do STF jogaria o país – com a consequente desmoralização de um dos dois poderes, se não dos dois, no fim – fica mais desidratada do que gado de nordestino durante a seca. E todo mundo fica contente.

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2 comentários sobre “De gênio

  1. Estou atordoado com os acontecimentos que envolvem o Judiciário brasileiro. Enquanto no STF acontece a exaltação de um ministro que virou referência nacional de ética e dignidade na pessoa do ilustríssimo senhor, a sua excelência o doutor Joaquim Barbosa, com o qual sou solidário em quase todos os seus ponderamentos e decisões, exceto de transgredir na autonomia do Poder Legislativo, vejo também no Judiciário baiano e sergipano o uso do tráfico de influências que prende empresários não criminosos, e mantém preso há mais de 220 dias de excesso prazal (no máximo seria 81 dias), um empresário acusado de estelionatário, que nunca foi julgado e cujo inquérito policial encontra-se estagnado há nove meses, sem “andar” um centímetro da gaveta da delegacia. Dos 17 juízes das varas criminais da Comarca de Salvador, todos que receberam o processo, por sorteio, para julgar o caso, no total de 14, consideraram-se “suspeitos” e não julgaram e o “paciente”, é assim que chamam o preso, continua preso ILEGALMENTE. Enquanto isso, os corruptos da gangue do mensalão, inclusive o poderoso chefão, estão a solta, mesmo depois de serem julgados e condenados. QUE PAÍS É ESSE?

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