Feliz 2014

Então, a três semanas do fim de 2012, começou a campanha eleitoral. A primeira jogada foi do FHC – quem mais? – lançando o Aécio como candidato tucano. O mineiro não queria – “muito cedo”, pensava ele, com razão, como se viu -, mas, jogado aos leões, sabia que não poderia negacear, sob pena de queimar-se dentro do partido. E foi a luta.

Como Aécio temia, o contra-ataque foi fulminante e pegou onde mais dói: no bolso. No caso, o do eleitor. Aproveitando-se da decisão dos governos tucanos de Minas, São Paulo e Paraná (Santa Catarina entrou também, mas não ninguém ligou) de não renovarem as concessões de usinas e linhas de transmissão, o governo bateu forte, acusando os tucanos de não terem “sensibilidade” para com o consumidor e impedirem a recuperação da indústria por fins político-eleitorais.

Claro que os tucanos reagiram dizendo que quem politizara o debate sobre o setor elétrico fora o governo, o que foi ecoado à exaustão pelos coleguinhas e pelos editoriais. O problema é que, com o passar do tempo, as pessoas começaram a se perguntar, por exemplo, por que a Copel havia aderido ao boicote. Afinal, a empresa fora atingida em apenas 1% do seu parque gerador e, ainda por cima, renovara os contratos para as LTs, além de, de maneira previdente, ter investido em usinas longe de seus domínios paranaenses, garantindo o futuro, ao contrário da Cesp, por exemplo. Não havia nenhum motivo para a Copel não ter assinado o acordo, pelo menos não no campo econômico.

O distinto público também começou a se perguntar o que raios acontecerá com a estatal de eletricidade de São Paulo a partir de 2015. Ela vai perder suas duas maiores usinas – Jupiá e Ilha Solteira – e, tirando umas usinas menores, torna-se-á uma empresa de eletricidade quase sem ativos – Três Irmãos, a terceira maior usina está enrolada numa batalha jurídica entre os governos paulista e federal que levará anos para ser resolvida. Assim, a partir de 2015, a Cesp corre o severo risco de tornar-se uma elétrica em permanente estado de choque.

Só que guerra jurídica infindável mesmo é a travada entre Minas e a União em torno das três usinas que o governo quer retomar e sobre as quais os mineiros dizem ter direito por mais 20 anos. Enquanto os advogados brigam, a Cemig está tendo que provisionar o valor das usinas em seus balanços pelo valor contábil, o que reduziu muito o lucro da estatal.

Isso foi só o início, como você lembra. Por todo este ano, ficamos a assistir escaramuças entre tucanos e petistas, de tal modo que, no limiar do ano eleitoral, já estamos cansados de uma eleição que ainda nem começou oficialmente.

Vai ser mesmo um looongo 2014…Espero que ele seja bem legal pra você.

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