No “clinch”

Quando moleque gostava de assistir lutas de boxe – cheguei a varar madrugadas para ver os combates de Muhammad Ali contra Joe Frazier e George Foreman, que se tornaram mitológicos. Um dos momentos de que mais gostava era quando o narrador dizia “Fulano sentiu o golpe!” – era o prenúncio do grande momento, o nocaute. Para evitá-lo, o atingido procurava agarrar o adversário, a fim de parar a luta.

Pois a reação exagerada à inclusão do Policarpo Jr. no relatório final da CPI do Cachoeira mostra que a imprensa sentiu o golpe. A inclusão é bobagem, pois não vai levar a lugar nenhum, infelizmente. A coisa vai morrer, pois a CPI do Cachoeira foi criada para fracassar – era ruim para o PT, para o PMDB e, principalmente, para o PSDB, o que a fez ser jogada para escanteio pelos coleguinhas. Agora, voltou e está sendo jogada para baixo de novo.

O bom da menção ao Policarpo é que ele vai ter que ficar na Veja por uns anos – os Civita não vão mandá-lo embora, pois pareceria admissão de culpa. No máximo, depois de um tempo decente, ganhará um exílio dourado em Paris, Londres ou Nova York. Mesmo assim, toda vez que o nome dele aparecer, muita gente boa lembrará das suas armações com o Cachoeira e mais um pouco da já combalida credibilidade da Veja se perderá. Por isso, apesar de terem de cumprir o juramento de defesa mútua comum às máfias, é bom os coleguinhas não se esforçarem demais – se arriscam a ir parar no mesmo buraco para dentro do qual a Veja e seu diretor de redação estão escorregando lenta, porém seguramente.