Um tempo pro Dudu

Na semana anterior, os deputados do PSB lançaram Júlio Delgado, de Minas, à presidência da Câmara, como opção a Henrique Alves (PMDB-RN), apoiado pelo PT. Tomaram um passa-fora de Eduardo Campos na semana que terminou. O governador de Pernambuco avisou que não ia apoiar a candidatura e que ela não poderia ser lançada por não ter passado pelo comando partidário – ou seja, ele -, num exemplo do bom e velho “centralismo democrático”, que os opositores de Dudu chamariam de neocoronelismo.

Na boa? O Dudu está certo. O lance dele agora é negacear o quanto puder antes de decidir o que fará em 2014. Ele tem razões de sobra para adiar a escolha, pois ela é tremendamente difícil mesmo. Veja só:

1. Sai candidato pelo PSB, sem o apoio do PSDB, e vence: Maravilha. Vai pro Planalto, compõe com os tucanos e com quem mais quiser e estamos conversados .

2. Sai candidato pelo PSB, com o apoio do PSDB, e vence: Igual a variante 1, exceto que será mais complicado compor com os partidos menores devido à voracidade com que os tucanos estarão após 12 anos de fome na oposição.

3. Sai candidato pelo PSB, sem o apoio do PSDB, e perde: Pode tentar de novo em 2018, já com algum recall. O problema é se a derrota for acachapante – tipo 5% dos votos – e também o fato de que ficará ao relento quatro anos, sem tribuna para se colocar, tipo o que aconteceu com a Marina, com os resultados conhecidos.

4. Sai candidato pelo PSB, com o apoio do PSDB, e perde: Vai ser crucificado pelos tucanos, acusado de ter perdido a eleição. Pode tentar de novo em 2018, mas já sabendo que dificilmente terá o apoio do tucanato e ainda com os problemas apontados na variante 3.

5. Sai como vice de Aécio e ganha: Terá um naco apetitoso do poder, mas também ficará na fila até 2022, pois, obviamente, Aécio já será candidato à reeleição. Poderá ficar na posição de ter visto o cavalo encilhado passando na porta e não ter montado, o que costuma ser fatal em política (e nos outros setores profissionais e da vida também).

6. Sai como vice de Aécio e perde: Também vai levar fogo dos tucanos, mas não sairá chamuscado se tiver entregue os votos do Nordeste. Garantido será o recall legal para 2018, mas ainda dependendo do número de votos que obtiver no Nordeste.

7. Sai ao lado de Dilma e ganha: Não anda para trás, mas também pode não andar para frente. Se agregar muito voto no Nordeste, fica mais forte, ganhando um naco maior de poder e podendo articular melhor para 2018 – dependendo um pouco de as municipais de 2016 confirmarem o bom desempenho deste ano.

8. Sai ao lado da Dilma e perde: Jogo jogado. Fica liberado dos compromissos com Nove-Dedos, Dilma e o PT e pode seguir seu caminho, sozinho ou acompanhado do PSDB, que vai querê-lo ao lado a fim de poder vigiá-lo melhor.

Como se vê, Dudu terá que pensar muito antes de escolher qual o melhor caminho para levá-lo ao destino que acredita ser o seu: a Presidência da República. Portanto, pressa é algo que ele não tem.

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