Que coisa!… Magnoli defende o PT!

A Liberdade e Luta, a radicalíssima Libelu, nasceu e viveu no Movimento Estudantil dos anos 70 até meados dos anos 80 (isso mesmo, Cezar Faccioli e Wilson Tosta, ou minha memória está assim tão avariada?), e, da última vez que olhei, sobrevivia como a corrente O Trabalho, do PT. Demétrio Magnoli foi um quadro da Libelu e, como se sabe desde Carlos Lacerda, quem faz o caminho da esquerda para a direita contribui muito para a segunda corrente de pensamento combater a primeira, como vem fazendo o sociólogo ao escrever nos Três Grandes jornais brasileiros.

Hoje, por exemplo, ele vai contra a corrente, muito em voga nas redes sociais e nos próprios jornais em que escreve (é só ler os títulos das editorias de política e outros colunistas), que tenta transformar o PT numa facção criminosa, estilo PCC ou Comando Vermelho. Magnoli lembra o óbvio: o partido tem uma história de 30 anos e foi (e, na maior parte do tempo, ainda é) um dos pilares da por enquanto incipiente democracia brasileira – sem contar, lembro eu, que elegeu os dois últimos presidentes da República e foi o mais votado no primeiro turno dessas eleições municipais, com 17 milhões de sufrágios.

O articulista ataca a condução da campanha de José Serra à prefeitura de São Paulo, que usou e abusou de tentar vender a ideia de que o PT é um valhacouto. Magnoli observa, com toda a razão, que o candidato tucano poderia ter escolhido, à senda policial,  a crítica à esdrúxula política das alianças petistas, das quais a com Paulo Maluf é o exemplo mais claro. O problema de ir por esse caminho, isso Magnoli não consegue ver (ou consegue e deixa pra lá), é que politizar campanhas eleitorais raramente é bom para a direita. No processo, a população pode começar a pensar politicamente, a ver o que há por trás de palavras e atos, a comparar uns com os outros, a recordar outros momentos, e aí decidir racionalmente (ou próximo disso) qual o melhor caminho. Como, em geral, para a maioria da população, o caminho da esquerda é o melhor (ou menos ruim), politizar dificilmente é uma boa estratégia de longo prazo para a direita.

Bom, claro que se você for muito cínico, poderá dizer também que a crítica magnoliana tem a ver é com o fato de Serra estar próximo a tomar uma tunda no domingo e que o articulista pretende mesmo é distanciar-se (e, por tabela, distanciar os veículos que publicam seus textos) de mais uma derrota, essa com um nível de ridículo maior do que o normal, devido ao inexpressivo adversário. Eu, que sou um sujeito que dá crédito às pessoas, porém, prefiro pensar que Magnoli está realmente, do fundo de seu coração, preocupado com a democracia brasileira.

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