Notas eleitorais III – Eduardo Campos

Os nossos analistas políticos de redação estão alvoraçados, tecendo loas ao PSB e a seu líder, o conterrâneo Eduardo Campos, saudados como os novos atores políticos de peso e opções fortes para tirar o PT do poder em 2014. Não há dúvidas que o PSB vem fazendo bem seu dever de casa e não é de hoje, mas será, que atualmente ou mesmo daqui a dois anos, o partido e seu líder máximo terão asas para atingir o céu em Brasília?

O argumento básico dos analistas é que os partido cresceu nas capitais, vencendo em algumas importantes, como BH e Recife, e chegando ao segundo turno em Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho. Muito bem. Mas olhando de perto será que esse crescimento é consistente ou mesmo real?

Em BH, por exemplo, o PSB não passa de barriga de aluguel de Aécio Neves. Lá atrás, o partido acolheu Lacerda para que ele ficasse numa legenda “neutra” na aliança “strange bedfellows” entre PT e PSDB que garantiu ao preposto do governador mineiro sua primeira eleição. Já em Fortaleza, a situação não é igual – lá o partido realmente existe -, mas é feudo dos irmãos Gomes, Cid e Ciro, cuja briga mesmo é com a prefeita petista da capital cearense, Luizianne Lins, e não com o PT nacional, Dilma ou Nove-Dedos, o que tira, pelo menos por enquanto, um naco da vitória do neto do Arraes.

Da mesma forma em Cuiabá e Porto Velho – onde o outro finalista da eleição é do PV, partido que nem existe de verdade –, são pleitos marcados por questões puramente locais, não permitindo extrapolações nacionais. Recife? Ora, ele já era poderoso lá e agora ficou mais, depois de se acertar com seu ex-arqui-inimigo Jarbas Vasconcelos (arqui-inimigo, em política, não tem o mesmo peso que tem nas HQs…). Ou seja, não mudou muita coisa, se é que mudou algo.

Apesar – ou por causa – disso tudo, Eduardo Campos deve estar sopesando, com muita calma, quais serão seus próximos lances. O mais provável é que fique bancando a donzela indecisa por algum tempo, mas não poderá fazê-lo indefinidamente. Mais ou menos nessa época no ano que vem, ele será cobrado por todos – PSDB, PT e correligionários – para se decidir. Aí veremos, mas, francamente, não o vejo aderindo aos tucanos. Seria trocar a posição de satélite do PT pelo do PSDB, com o agravante de que, como parceiro do primeiro, o PSB conseguiu crescer, enquanto o DEM, sócio-quase-irmão do outro, está nessa situação lamentável, respirando por aparelhos (sem contar o PPS, que minúsculo era e minúsculo continua após anos acompanhando os tucanos).

Creio ser mais fácil Eduardo levar o PSB a uma aventura solo em 2014. Seria um risco e tanto – se não se tornasse uma nova Marina (aliás, por onde anda? Ainda em Londres?), arrebanhando 20% dos votos, poderia ver seu sonho ser abatido logo ao sair do ninho. No entanto, se ficar ao lado do PT, sem conseguir a vice-presidência, ficará a impressão de que caminhou à beça para ficar no mesmo lugar – bem longe do Planalto.

Eduardo Campos, assim, terá muito em que pensar nos próximos meses a fim de evitar um passo em falso que, embora não fatal, poderá atrasar em anos sua caminhada rumo à Presidência.