Notas eleitorais II

Depois de terminada a comemoração pela vitória de Márcio Lacerda, Aécio Neves deve estar, agora, coçando a cabeça. O seu candidato venceu em primeiro turno, legal, mas com uma margem apertada – pouco mais de 2% dos votos -, ou seja, não foi um passeio dominical pelo parque da Pampulha. Há uma oposição em forma em BH e isso não é bom.

Outro problema, bem mais sério, porém, está em Sampa – lá, Aécio está entre o ruim e o pior, e não sabe qual é qual. Se Serra vence, mais um paulista vai encher-lhe o saco. Ok, Serra, personalista como é, não deve reatar com Alckmin, o que ajuda um pouco, mas e se o FHC conseguir uma trégua em nome do predomínio paulista sobre o tucanato? Encarar os tucanos paulistas não é fácil e Aécio sabe disso melhor do que ninguém.

Se Serra perde…Bem, aí o Nove-Dedos se tornará uma lenda em vida e quem consegue combater uma lenda? Sem contar que, nessas condições, não haverá mais o que discutir no ninho dos tucanos de São Paulo: o “picolé de chuchu” será o líder inconteste e ponto final – e, como todo líder dos tucanos bandeirantes, sua prioridade máxima será manter o firme domínio de São Paulo sobre o PSDB. Nem que pra isso precise detonar a melhor chance do partido de evitar que o PT faça o que pranteado Sérgio Motta divisava para o seu partido: manter o poder máximo da República por 20 anos (ou quase isso).  Desde que nas mãos dos paulistas, claro.

Anúncios