Notas eleitorais – I

Primeiros comentários sobre as eleições municipais:

1. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, desejou que o mensalão influísse nos resultados do pleito de hoje. O desejo, no entanto, não se cumpriu, exceto em um município e não do jeito que o procurador imaginava.

2. A exceção foi Osasco. Lá, como você deve lembrar-se, o candidato do PT, João Paulo Cunha, teve de renunciar à candidatura no meio da campanha por ter sido condenado pelo STF. Foi substituído, às pressas, por Jorge Lapas. Resultado: o substituto foi eleito com 60% dos votos.

3. Na maior parte do país, porém, o julgamento do mensalão foi solenemente ignorado. Até mesmo em São Paulo, onde Nove-Dedos tanto fez que levou seu pupilo para o segundo turno contra o interminável Serra.

4. São Paulo promete emoções paralelas para o segundo turno, além do novo embate PSDB x PT. Um deles: o que fará o bispo Macedo? Vamos convir que quem tirou seu candidato, Russomano, do segundo turno foi Haddad. O bispo vai à forra, apoiando Serra? Nesse caso, ficará ao lado das Organizações Globo, que jogarão toda sua força e fúria para não sofrer a suprema humilhação de ver N-D derrotá-la de novo elegendo um poste (esse poste mesmo, muito pior de carregar que o Dilmão) no seu maior mercado.

5. Outra coisa gozada de se acompanhar. Se o Serra vencer, os institutos de pesquisa sofrerão sua maior desmoralização. Afinal, desde o início da corrida eleitoral, o tucano foi apontado como recordista de rejeição – chegou a mais de 45%;. Ora, como reza a cartilha, ninguém vence eleição com índice de rejeição superior a 30%, como ficarão os institutos se der o filho do Nosfertu nas urnas? Vão dizer que ele foi desresjeitado?

6. Mas mesmo se essa possível desmoralização acontecer, nada abalará a fé dos coleguinhas e dos veículos nas pesquisas eleitorais, conforme o livro recomendado no post abaixo.

7.  A cara do Merval Pereira comentando os resultados na Globonews estava impagável – um misto de frustração, raiva, tristeza e vergonha. Hilário.

4 comentários sobre “Notas eleitorais – I

  1. Merval estava surreal. Chegou a dizer: “Se o mensalão não teve influência a nível nacional (sic), terá grande influência em São Paulo”. Alguém esqueceu de avisar-lhe que ele estava ali para analisar a eleição, não para dizer o que deseja.

    • Então ele, como eu e os paulistanos, acredita que São Paulo não é Brasil. A diferença é que os paulistanos acham que Sampa é uma Nova York dos trópicos e eu acho que é Paracatu gigante. O que será que acha o Merval?

    • E mais – o mensalão já não teve influência em Sampa. Tanto que o Haddad está no segundo turno. Se não teve no primeiro, por que teria no segundo?

  2. Isso ele não explicou, até porque não tem explicação…

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