O “mensalão”, os brasileiros e a democracia

O julgamento do “mensalão” (já provaram a existência?) está mostrando que, após quase 30 anos de democracia, os brasileiros temos ainda um looongo caminho a percorrer para aprender a sermos democratas.

Minha certeza vem da cobertura da imprensa (mas, creio, essa nunca pensou em ser democrata mesmo, por isso está aqui só pra constar) e, principalmente, das manifestações nas tais redes sociais. Nada contra elogiar o ministro Joaquim Barbosa, realmente um emérito jurista, por suas posições, mas é demonstração de desconhecimento do jogo democrático vilanizar os ministros Ricardo Lewandowski, igualmente emérito jurista, e José Antônio Dias Toffoli (nem tão emérito assim) apenas por fazerem seu trabalho de julgar e emitirem sentenças que não se coadunam com o desejo de condenação a todo custo das redações, que reverberam nas redes sociais, refletindo, porém, apenas a luta política partidária.

Mas, enfim, depois que ficar provado que o julgamento do tal mensalão não vai mudar muito a dinâmica da nossa política, digam o que disserem os colunistas amestrados, o aprendizado vai continuar. E já aviso: vai dar trabalho. Exercer a democracia requer participação política consciente, que começa por acompanhar e aprender sobre política entre as eleições, algo que só acontece a custa do diálogo e do exercício da inteligência diários.

4 comentários sobre “O “mensalão”, os brasileiros e a democracia

  1. É realmente desalentador. Não há opinião informada em relação ao julgamento. Os ministros tornam-se heróis ou vilões com base simplesmente no resultado desejado. Grupos que achavam o JB o próprio demônio por votar por cotas, aborto de anencéfalos, liberação do Battisti, etc, etc, agora o consideram “o maior brasileiro de todos os tempos”. Lewandowski, herói por capitanear, ao lado de JB e Cármen Lúcia, a luta pela aplicação da Lei da Ficha Limpa, primeiro no TSE e depois no próprio STF, vira traidor da pátria. E a imprensa finge que não há problema, que isso é o mais belo exercício da democracia… Mas então por que não fazermos os julgamentos do STF por plebiscito em vez de gastar tanto tempo e dinheiro num julgamento por magistrados?

    • É, Chia, mas não se desalente. Afinal, chegou a sua casa uma esperança (hmmm…quase certeza, digo eu, num acesso de otimismo) de que esse estado de coisas vai mudar, não é?

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