Jogos Olímpicos: o quadro (quaaase) real de medalhas

Como já falei, acho errada a contagem de medalhas feitas pelos veículos de comunicação. Além de dar um peso desmedido aos esportes individuais em relação aos coletivos (contam uma medalha por país, embora cada atleta receba a sua individualmente, como nos individuais), ainda contraria a lógica por fazer uma parte (a medalha de ouro) valer mais do que o todo (o total de medalhas).

Assim, já que a contagem para o quadro de medalhas é totalmente arbitrária, resolvi fazer o meu. Para isso, peguei os esportes coletivos – futebol, basquete, vôleis (de quadra e de praia), handebol, hóquei, pólo-aquático, tênis (duplas e duplas mistas), badminton (duplas e duplas mistas), remo (todos que não singles) e tênis de mesa – e distribui tantas medalhas quantos são  os atletas que formam as equipes regulamentares (por exemplo, vôlei de quadra, 6; de praia, 2), menos um (pois o “quadro oficial”  já conta uma por país, lembra?).

O quadro real de medalhas distribuídas em Londres, portanto,  é esse aí de baixo (pode ser que uma ou outra medalha tenha  escapado, por conta de algum esporte por equipe que tenha esquecido, mas não vai mudar muito o total, creio). Há muitas mudanças de colocação, mas a mais significativa é a de um certo país da América do Sul.

 

QUADRO REAL DE MEDALHAS

Colocação

País

Total de medalhas

     

EUA

149

Rússia

93

China

88

Grã-Bretanha

81

Japão

56

Alemanha

55

7º

Austrália

54

França

47

Coréia do Sul

41

10º

Itália

40

11º

Brasil

39

 

6 comentários sobre “Jogos Olímpicos: o quadro (quaaase) real de medalhas

  1. Nos Jogos de Sydney-2000, o Milton Coelho da Graça, na época diretor de redação do Jornal dos Sports, escreveu uma coluna com uma proposta um pouco diferente. Primeiro ele criou uma soma de pontos, dando cinco para medalha de ouro, três para prata e um para bronze (acho que era isso). Depois, eliminou todos os países com uma só medalha, porque em geral seriam resultado do esforço individual de um atleta e não representariam uma estrutura esportiva nacional. Por último, pegou a pontuação e dividiu pela população de cada país para encontrar um “índice olímpico” – e o do Brasil até que não era ruim.
    Claro, isso foi num momento em que o JS tinha ótimas relações com o Vasco do então deputado Eurico Miranda, que tinha torrado milhões do Bank of America petrocinando atletas que eram favoritos ao ouro e voltaram com prata ou bronze, e era preciso dar alguma satisfação.

    • Não gosto muito dessa ideia porque, dependendo da ponderação, o índice muda muito, ficando sem consistência. Mesmo assim é melhor do que o absurdo lógico do atual quadro.

      • Eu acho que um dos grandes problemas do quadro (como é apresentado hoje) é a supervalorização da medalha de ouro. Aquela lógica de que “segundo e último é a mesma coisa”. Não dá pra analisar seriamente o desempenho de um país sem considerar, por exemplo, o número de atletas classificados para provas finais. Mas isso exigiria um esforço bem maior que simplesmente olhar para um quadro de medalhas já pronto.

  2. Ivson, acho que recebem medalha todos os atletas que compõem a equipe, incluindo reservas. No vôlei, por exemplo, todas as moças levaram a sua de ouro. Não contei quantas, mas eram mais de seis, certamente, fazendo bagunça ali no pódio.

    • São 12, Eliane. Só contei seis, mas é um parâmetro arbitrário e, como tal, você pode estar certa – poderiam ser contadas 12 medalhas, até porque, no vôlei, no basquete e no handebol (acho que no hóquei também), há muita rotação. Usando esse parâmetro, o Brasil ficaria entre os 10 primeiros, pois a Itália receberia apenas mais seis medalhas (do vôlei masculino) e nós mais 12.

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