Jogos Olímpicos: o basquete no “fundo bola”

Torcedor do tricolor verdadeiro – o Fluminense, o Maior Clube de Todos os Universos -, meu esporte é o futebol. Você acha isso, né? Pois está errado/a. Meu esporte mesmo, aquele que me faz sair do sério, é o basquete. Sou fanático desde o tempo em que as grandes seleções do mundo vinham jogar contra a nossa, vice-campeã mundial, em São Paulo (no Rio, era mais raro) – a Iugoslávia, campeã de 70; a URSS, terceira colocada; os EUA com as seleções escolhidas entre as maiores universidades (o grande Kareem Abdul-Jabaar, ainda com o nome de Lew Alcindor, veio numa dessas); o Porto Rico de Raymond Dalmau, treinado pelo malandríssimo Flor Menendez…Naquela era do mundo não havia transmissão ao vivo e eu tinha que ficar esperando o videoteipe (era assim que se chamava), que só terminava a 1h da manhã. O garotão aqui tinha que acordar às 5h, para ir pro Pedro II e saía de Pavuna em direção ao Engenho Novo sonolento, mas  feliz da vida.

Bons tempos, que podem voltar, pelo menos no masculino, apesar da derrota para o excepcional time argentino. Essa equipe é a melhor que conseguimos formar em 25 anos. Tanto que repetimos, em Londres, o quinto lugar que obtivemos em Seul-88 e Barcelona-92, antes da derrocada pós-geração de Oscar e Marcel.

O culpado de sempre pela derrota diante dos “hermanos” bombou na internet, mas Leandrinho não pode carregar a derrota – e a eliminação – nas costas. Nosso time é mesmo inferior a cinco dos outros sete classificados – lembrem-se que perdemos para quatro deles nos último mês (EUA, França, Rússia e Argentina) e o que vencemos (Espanha) foi de maneira suspeitíssima. Não temos ainda um jogo consistente, oscilamos demais, sofremos apagões (em geral no segundo quarto), algo fatal quando enfrentamos equipes estruturadas, experientes e com entrosamento de anos.

Mas se o nosso time é inferior hoje, tem ótimas chances de não sê-lo em 2016. É bom lembrar que gente como Ginóbili, Prigioni, Delfino e Scola, pela Argentina, e Pau Gasol e Navarro, pela Espanha, não deverão estar na Rio-2016, por terem todos mais de 35 anos (Kirilenko, da Rússia, terá essa idade). É certo que Nenê e Leandrinho estarão mais ou menos por aí (34) e Marcelinho Huertas também (33), mas demonstramos, no Pré-Olímpico, que temos uma nova geração bem talentosa. E, acima de tudo, manteremos o excelente Rubén Magnano, que pode ser decisivo para o nosso basquete se o deixarem trabalhar e também o aproveitarmos para passar aos treinadores brasileiros da base o conceito de que basquete, ao contrário do futebol, se ganha com a defesa e não com o ataque. Essa verdade foi aprendida pelos europeus e parece estar nos genes dos americanos, mas ainda não entrou na cabeça dos garotos e garotas daqui.

Por falar em garotas…Se estou relativamente otimista com o masculino, no feminino não tenho a mesma fé  para 2016. O problema nem é tanto de capacidade técnica, embora não estejamos esbanjando talentos. O que pega é que, diferente do que aconteceu com os rapazes, o trabalho sofreu solução de continuidade devido à retomada do poder na CBB pelos paulistas, com a eleição de Carlos Nunes. Se Moncho Monsalve foi substituído por um treinador melhor e com a mesma visão de basquete, o mesmo não aconteceu com o também espanhol Carlos Colina (aliás, só nesse ciclo olímpico, foram quatro os treinadores da seleção feminina – fica complicado manter um trabalho, né?). Para 2016, vamos ter que começar praticamente do zero e, em quatro anos, duvido que se forme um time campeão olímpico.

2 comentários sobre “Jogos Olímpicos: o basquete no “fundo bola”

  1. Outro ponto positivo é que o Marcelinho Machado certamente estará aposentado.

    • Isso! Menos uma mala na bagagem olímpica! Se bem que é quase certo que ele vire comentarista… 😦

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