Antipauta olímpica: o quadro de medalhas

O quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos é uma cascata. Mais: é um filho da Guerra Fria. Ele nasceu em 1956, nos Jogos de Melbourne, fruto da primeira presença da União Soviética no evento, em Helsinque, em 1952. Os soviéticos mostraram que não estavam para brincadeiras, ganhando um monte de medalhas, em esportes de ponta, como futebol, vôlei, ginástica e nas provas de atletismo.

Diante de estreia tão ameaçadora em plena era macartista, os americanos resolveram fazer algo a respeito e os seus jornais inventaram o quadro de medalhas, aproveitando as informações tradicionalmente divulgadas pelo COI. Era uma maneira de dar uma abaixada na bola nos “vermelhos”, pois os sobrinhos do Tio Sam e seus aliados estavam presentes em mais esportes do que os soviéticos e o pessoal da chamada “Cortina de Ferro” – portanto, ganhavam mais medalhas.

O problema com a contagem do COI é que ela contém um erro metodológico – nas provas individuais, o Comitê atribui uma medalha por atleta – e, portanto, por país -, mas não faz o mesmo com os esportes coletivos, que contam apenas uma medalha, embora todos os atletas recebam a sua, como nos esportes individuais. Para os jornais americanos (e de todo o “mundo livre” – por favor, não ria, era assim durante a “Guerra Fria” – como o Brasil), esse erro veio bem a calhar, pois os russos, desde o início, mostraram-se fortíssimos no futebol (onde competiam com suas equipes principais, disfarçadas de times militares) e no vôlei (este, a partir de 64). Os americanos dominavam o basquete, é certo, mas os russos, já a partir de 52, começaram a competir seriamente, sempre faturando suas medalhinhas.

Assim, minha proposta de antipauta é a seguinte: os jornais brasileiros passarem a contar tantas medalhas quanto for o número regulamentar de atletas que disputam as competições nos esportes coletivos. Assim, seriam contadas 11 medalhas no futebol, seis no vôlei de quadra, duas no vôlei de praia e cinco no basquete – só para falar dos principais, mas valeria também para badminton, hóquei sobre a grama, pólo aquático e outros. Tenho a impressão que o quadro não chegaria a mudar demais, mas, creio, ficaria bem mais justo.

2 comentários sobre “Antipauta olímpica: o quadro de medalhas

  1. Nada contra. Os EUA em 2008 não começaram a ranquear pelo total de medalhas, diferente do que vinham fazendo, que era montar o quadro pelo número das de ouro, só pra não ficarem atrás da China? 🙂

    • Bem lembrado, Rapha! Se eles podem, por quê não nós? Afinal, juracianamente falando, o que é bom para os EUA não é bom para o Brasil? 😉

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