Primeira impressão

Numa primeira olhada, o redesenho do Globo não me pareceu de todo ruim. Gostei da leveza do desenho e o meu temor quanto à fonte não se confirmou – é bem legível. No entanto, creio que a fez a manchete perder força, o que vamos poder confirmar amanhã, quando, provavelmente, ela recuperar a coluna tomada hoje pelas chamadas autoglorificadoras.

As colunas também meio que sumiram no meio de tanta leveza, ficando muito parecidas com as matérias. Isso é ruim para um veículo que aposta no “jornalismo sobre pilotis”, ou seja, baseado em colunas. Outro ponto que pode ficar complicado no dia a dia: nem sempre se poderá contra com a beleza e o olhar de Isis Valverde para abrir uma foto no alto.

O que me deixou mais cabreiro com reforma, porém, é seu aspecto conceitual. Toda ela foi realizada de modo a fazer com o impresso parecesse com um site (pelo menos isso foi escrito nos últimos dias). Assim, o jornal impresso, na prática, rende-se à internet, apesar de todo o discurso sobre a sua importância e longevidade. No fim, a reforma gráfica do Globo, em vez de afirmar a força do jornalismo impresso sobre a Rede, acaba por reafirmar a preeminência desta.

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5 comentários sobre “Primeira impressão

  1. Meu comentário é mais simples: achei muito ruim. Tem coisas totalmente ultrapassadas (nomes em versal e versalete, por exemplo). O tipo/tamanho/cor usado nas editorias é de 1850. Não vi nada leve, mas, se houver, é uma leveza de antiquário, não transmite nada de modernidades. Gostaria sinceramente de ouvir comentários de especialistas…

  2. Minha primeira impressão é de aprovação. Está bem arejado, com áreas brancas e entrelinha que me parece um pouco ampliada. Tem um misto de tipologia com e sem serifa e um certo ar retrô, sim, mas misturado com um toque moderno. Achei limpo, fácil de ler, apesar de alguns retoques que me parecem necessários. Na primeira impressão, o saldo é positivo. Vamos aguardar as novas edições.

  3. O Luiz Garcia dizia q 90% dos leitores só liam os títulos. Pois é. Com a redução do tipo (pequeninho) e a extensão das matérias (enormes,cheias de advérbios de modo, uma forma de encher linguiça) ficou parecido com o The Times do Murdoch. Precisava contratar um cara na Espanha para isso?.

    • Pois é, Sônia. Na verdade, como observou um colega hoje, lembra também o Correio Braziliense e, como comentou outro, com alguns traços de Estadão. Oensando bem, até lógico – afinal, se as linhas editoriais de todos se parecem, por que não o projeto gráfico?

  4. O mentor da reforma é o mesmo que comandou as reformas do Correio e do Estadão. A do Correio acho particularmente tenebrosa: parece trabalho de faculdade com sua profusões de fios, destaques, títulos centralizados e em caixa alta. Simplesmente horrível. O design do Estadão, embora realmente semelhante ao “novo” Globo, acho mais bem resolvido nos detalhes – e, considerando que o Estadão anterior era excessivamente quadradão, foi uma grande evolução.

    O que me parece mais esquisito é o Globo discursar e discursas acerca dos novos tempos e da integração com a internet e ao mesmo tempo ter um medo pavoroso de inovar de verdade – daí ter contratado o cara que dá a cara da mesmice dos nossos jornais impressos.

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