Caso para o House

Para estudo científico: pode a radioterapia – ou outros tratamentos de câncer na laringe – afetar o cérebro? Pergunto porque ou foi isso ou o Nove-Dedos já está mesmo gagá para acertar uma aliança com Paulo Maluf.

Maluf é ladrão? É, mas se a gente for por aí, não se faz aliança na política brasileira pelo simples fato de que 95% dos caras são ladrões (para mais provas, vide, por exemplo, “Privataria Tucana”, entre outras publicações). O caso do Maluf é diferente. Ele não é um simples ladrão. É um ícone. Maluf está para a ladroagem política brasileira como a Marilyn Monroe está para a mulher sexy. É só botar uma foto, uma imagem, deles e se tem toda a mensagem sem ser necessária uma palavra.

O N-D faz aliança com esse ícone nefasto para ter em troca um minuto e meio na TV. E numa eleição que ele só tinha uma possibilidade remota de perder! Por que? Veja:

1. Vence Haddad: N-D é entronizado como o maior político brasileiro desde o Bacharel de Cananéia.
2. Vence Serra: N-D fica bem arranhado, mas sua discípula, Dilma, se dá bem porque Serra vai continuar infernizando Aécio, que, se continuar dando bobeira, ainda pode acabar vendo a eleição presidencial pela TV, de novo.
3. Vence Chalita: N-D fica arranhado e Dilma fica nas mãos do PMDB, que vai torturá-la com a possibilidade de aderir ao Aécio. Este, livre do Serra, já pode até começar a campanha de 2014.

Agora, mesmo se o Haddad ganhar, N-D poderá ter uma vitória de Pirro. Se perder então…

4 comentários sobre “Caso para o House

  1. Apesar do Maluf ainda ter bastante votos em São Paulo, o fim não pode justificar os meios. O Lula tá obcecado em destruir o DEM e diminuir o ninho dos tucanos. Agora, Ivson, “possibilidade remota de perder”, não é bem assim. O paulista já oscilou entre Erundina e Maluf, Marta e Celso Pitta, porém, é, em sua maioria, conservador. Nunca foi fácil de o PT vencer na capital da garoa.

    • A “possibilidade remota de perder” é que, sem a malufada, mesmo perdendo a eleição, ganharia politicamente com a vitória do Serra. Este ficaria tão enlouquecido de vaidade que racharia de vez o PSDB para ser candidato em 2014, para ser novamente derrotado. Agora, se ganhar também vai rachar o ninho, mas N-D já não tem como tirar vantagem disso. Dilma talvez, mas ele não.

  2. Veja, ele poderia estar em casa curtindo os netos ou dando palestras muito bem remuneradas no exterior. Ao invés disso, está metido numa disputa municipal (que, no mundo das “aparências” é “desprestigioso” para um ex-presidente), assumindo tarefas extremamente impopulares (costura de apoio com o PP). O caminho mais fácil certamente Lula não escolheu, até porque em função do conservadorismo de SP é provável que Haddad não vença a eleição. Nessas circunstâncias, fico reticente em criticá-lo.

    • Mais um motivo para ele ter ficado de fora, olhando da janela. Tudo bem que ele adore fazer política, mas poderia virar o Grande Pai Branco da política brasileira – ser, naturalmente, o que O Globo tenta, por força, fazer o FHC ser. Preferiu, porém, arriscar-se e apostar seu capital político para mostrar o seu poder. Pode ganhar? Pode, mas, mesmo que o faça, tende a não levar as batatas machadianas.

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