Amplificação biruta

Tudo bem que a Vale é cara-de-pau à beça – mineradora não pode posar de sustentável com a desfaçatez com que a empresa faz (para tocar o negócio, ela tem que esburacar a terra, cazzo!) – mas daí a ser eleita a pior empresa do mundo vai uma distância cósmica, né?

Primeiro, que são 25 mil votos, num universo de quase 2 bilhões de pessoas que usam a internet no mundo? A resposta é 0,00125% (125 bilionésimos por cento). Na verdade, não chegam nem a 30% do total de votos (88 mil) da tal eleição apoiada pelo Greenpeace (28,40% para ser exato).

Segundo: quais são as instituições que indicaram a Vale ao tal prêmio? Tem a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale e a Justiça nos Trilhos, que, apesar do nome, não tem por objetivo melhorar a Justiça brasileira, mas apenas bombardear a Vale, conforme está em seu próprio site (aqui). Isenção zero, certo? Sem contar a International Rivers e a Amazon Watch – velhas conhecidas de qualquer empresa ou governo que tenta dar uma melhor qualidade de vida às populações da Amazônia por meio do desenvolvimento sustentável (mesmo) da região. Aliás, espero ver, ano que vem, a indicação das mineradoras Rio Tinto (inglesa) e BHP Billiton (australiano-holandesa0 para o prêmio por parte das duas.

Não vale (com trocadilho, por favor) notícia sobre o prêmio? Claro! Mas, diante do número de eleitores e da representatividade das instituições indicadoras, no máximo, um colunão ou um “pé” numa retranca sobre o convescote de Davos. E. obviamente, matéria sobre as escavações da Vale, o que acontece com as populações do entorno e os impactos negativos e positivos (impactos nem sempre são negativos, correto?) das atividades da empresa. Mas isso é antipauta e não será feita.