Mais laureado e saudoso

Como milhares de adolescentes moradores do Rio e fanáticos por futebol, na década de 70 tinha um compromisso quase sagrado que começava às 18h15min: ouvir a Turma do Bate-Papo na rádio Mauá (e, depois, na Nacional), programa comandado, com mão de ferro e vozeirão profundo, por Orlando Batista, o “mais laureado locutor esportivo”.

A voz do vascaíno Orlando realmente era de fazer tremer qualquer um, até seu irmão Oswaldo, que fazia parte da mesa ao lado de Januário de Oliveira e Valter Sales, entre outros. O patriarca, porém, tinha um ponto fraco: o seu queridíssimo filho, Luiz Orlando. Também jornalista esportivo, Luiz Orlando era por Cheiroso conhecido, por estar sempre impregnado, até a alma, de perfumes, que faziam sentir a sua presença minutos antes de ela realmente corporificar-se. Pernóstico e sem o talento e o carisma do pai, Luiz – que depois foi carnavalesco de minha União da Ilha, a qual rebaixou após anos no Grupo Especial – sempre era anunciado por Orlando com pompa e circunstância. E esse foi o problema…

“E agora, o meu filho, Luiz Orlando!”, bradou o pai coruja. Só que a deixa estava errada, não era a vez o amado garotão, mas de Valter Sales, cognominado  “o pistoleiro da gramática” por ficar meses a fio sem acertar uma concordância. “Os jogadores do Vasco está preparado para enfrentar o Olaria!”, disparou o repórter. Chocado com o erro crasso e temendo que o distinto público achasse que seu rebento era o assassino do vernáculo que acabara de ir ao ar, Orlando cortou o pobre Sales:

– Esse não é o meu filho! Esse não é o Luiz Orlando!! – berrou

Vai na paz e com minha saudade, Mais Laureado!

2 comentários sobre “Mais laureado e saudoso

  1. Fala Ivson! Só um reparo. Orlando Batista era, na verdade, tricolor. O que houve foi uma bela jogada dele, no tempo da Rádio Mauá, para que os jogos do Vasco sempre fossem transmitidos e com o patrocínio quase eterno da Antarctica. A segunda maior torcida carioca estaria sempre ligada. Daí a ligação dele com o Vasco. Assim me contaram. A melhor história dele foi a briga com o Zózimo. Por algum motivo, o colunista do JB deu uma sacaneada no Orlando. No dia seguinte, na Turma do Bate Papo, Orlando desancou Zózimo aos berros: “Esse cidadão é um xepeiro que come as sobras das mesas dos grã-finos. Trata-se de um xepeeeiro!”. No JB, ainda no tempo das editorias em salas fechadas (só a Reportagem Geral era aberta), sempre que o colunista passava alguém gritava “Xepeeeiro!”. Até chefão fazia isso, eu vi.

    • Eu jurava que ele era vascaíno – o Oswaldo, eu sabia, era tricolor e o Luiz Orlando, botafoguense. Se bem que, sempre que podia, o ‘mais laureado locutor esportivo” elogiava a organização do Fluminense e ao João Havelange, a quem se referia sempre pelo nome completo – Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange.

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