Depois, não vale chorar

Dentre os grandes desserviços prestados pelos veículos de comunicação à democracia e ao processo político brasileiros, um dos maiores é o desossamento da oposição. Com a ânsia de detonar o governo via destruição de ministros, os veículos acabam é por ajudá-lo a seguir, lampeiro, em frente.

Você tem visto esse sistema funcionar nos últimos meses. Primeiro, no fim de semana, uma revista ou um jornal denuncia – com ou sem provas, isso não importa – um ministro. No dia seguinte, um prócer da oposição exige que o ministro dê explicações no Congresso. O ministro, então, diz que não tem nada a esconder e que ficará no cargo. Segue-se algumas semanas de bombardeio – com matérias com ou sem fundamento, não importa – e o ministro cai. Entra outro e a imprensa segue para o próximo.

Bom e durante o processo o que aconteceu com o governo? Nada. Seguiu sua vida normalmente, assim como o resto do país. Os juros subiram ou desceram; a Dilma viajou ou não viajou; as obras do PAC continuaram ou pararam por conta de alguma greve…Tudo normal, como se nada estivesse acontecendo de importante. Vai ver é que porque nada de importante está mesmo acontecendo.

Na boa, a oposição nada diz sobre assuntos relevantes para o país. E oportunidades não faltaram:

1. A PM invadiu a USP atrás da rapaziada do vapor e um reitor de universidade federal foi pego com os dois braços enfiados até os cotovelos na cumbuca. Boas oportunidade para a oposição dizer quais os caminhos que o ensino público superior do país deveria seguir. Ouviu-se algo a respeito? Eu não.

2. Artistas da TV Globo atacam a opção do país pela geração hidrelétrica, defendendo as fontes alternativas, e são desmoralizados por grupos de jovens universitários. A oposição tem a dizer o quê sobre a matriz energética brasileira, hoje e no futuro?

3. O país vai crescer menos de 4% este ano. Ok, a mundo não está ajudando, especialmente os europeus, fazendo um monte de lambanças. Mas o que a oposição teria feito para o país crescer mais? Mais austeridade? Cortes? Onde? Os economistas da oposição ainda se reuniram no Rio, há umas três semanas, mas até agora nenhuma linha foi divulgada sobre as conclusões e, menos ainda, algo foi dito sobre o assunto pelos políticos, que, afinal, é que irão defender as teses dos doutores diante da plebe ignara.

Por aí vai…

Agora, os veículos de comunicação levantaram essas questões de fundo, obrigando os oposicionistas a oferecer sua contribuição ao país? Não. Preferiram ficar no bem-bom de manchetes sobre corrupção, que não levam a nada pelo simples fato de que, todo mundo sabe, não foi esse governo, nem o anterior, que trouxeram esse mal para o Brasil. Aí o governo vai lá, vence mais uma eleição em 2012, emboca a de 2014, e fica todo mundo reclamando que brasileiro não sabe votar, que é conivente com a corrupção e outros chororôs, que fariam corar de vergonha até o botafoguense mais empedernido.

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