Caso Chevron – A escolha do Globo

Depois de muito hesitar em escolher entre a sua aliança explícita com o governo Sérgio Cabral – disfarçada em decisão editorial de valorizar os assuntos fluminenses em detrimento dos nacionais e exemplificada na questão dos royalties do petróleo – e aquela, mais antiga, com os interesses norte-americanos, O Globo finalmente decidiu entrar de cabeça no caso do desastre ecológico provocado pela Chevron.

Mas como cultiva o hábito atávico de tentar enganar seus leitores, o jornal, claro, deu  uma desculpa esfarrapada para não ter feito uma cobertura decente antes – a de que estava chovendo na região nos dias em que houve o derramamento de óleo e, por isso, não pôde sobrevoar a área. Só que, nos primeiros dois dias do evento (9 e 10), o tempo estava limpo em todo o estado (no Rio, rolou até um calorzinho). O próprio cientista norte-americano ouvido, ontem, pelo jornal sobre o desastre diz que só 48 horas após o início do derramamento do óleo os satélites não puderam mais fazer fotos devido a problemas meteorológicos. É como dizia minha avó Sinhá: “a mentira tem pernas curtas”.

Pior que essa só o esforço canhestro, também na edição de ontem, de puxar a Petrobras para o meio do problema, lembrando que a companhia tem 30% na sociedade que explora o campo. Se isso não é assédio moral jornalístico, não sei mais o que é.

Um comentário sobre “Caso Chevron – A escolha do Globo

  1. Lembro apenas que, de acordo com a Lei 9.605/98, pessoas JURÍDICAS podem receber sanção PENAL por dandos ao meio ambiente.

    Sobre ao “apagão” do Globo nos primeiros dias do desastre não há nem o que comentar. Vergonhoso.

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