A “Fórmula Veja”

Sempre foi um mistério para mim como a Veja – e a maior parte da grande imprensa, para ser franco – conseguia impingir as histórias mais escalafobéticas como se fossem os próprios mandamentos escritos na pedra. A descoberta da lei que regula esse fato aconteceu por acaso, mas no local mais provável – o livro “O andar do bêbado”, do físico e professor norte-americano Leonard Mlodinow, editado pela Zahar.

Emprestado por uma amiga que sabe de minha inclinação pela estatísticae e pela probabilidade, nascida nos bancos da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, em fins dos anos 70, o livro tenta demonstrar como o acaso faz parte integrante da vida e que a busca de padrões lógicos, embora bem legal para a sobrevivência da espécie como um todo, pode nos levar muitas vezes a cometer erros absurdos, individualmente.

Assim, logo na pagina 33, Mlodinow fala de um experimento levado a cabo por dois cientistas, Daniel Kahneman – Nobel de Economia de 2002, apesar de ser psicólogo de formação – e Amos Tversky, no qual eles descobriram que se alguém fizer uma afirmativa e acrescentar uma outra, mesmo muito menos provável ou lógica que a primeira, as pessoas, em vez de acreditarem menos na afirmativa 1, passam a acreditar mais, bastando apenas que se conte bem a história.

Não entendeu? Então leia o trecho do livro que me fez gritar “eureca!” (quer dizer, quase…) e entender o mecanismo de empulhação levada a cabo pela Veja e seus seguidores.

Bacana, né? Pois tem muito mais coisa bacana como essa n’ “O andar do bêbado”. Recomendo fortemente que você o leia, mesmo não sendo um tarado por estatística como eu.

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Um comentário sobre “A “Fórmula Veja”

  1. Sinistro, muito sinistro. A mesma tática foi usada em matéria de ontem de um certo jornalão paulista.
    abraços,

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