Mal parado

Antes que passe totalmente batido…Só duas mil pessoas em passeata, em Copa, num feriado ensolarado? Realmente esse movimento anticorrupção não está pegando, nem com o apoio da grande mídia.

Não que seja uma surpresa. Aqueles obstáculos que apontei em outros posts (aqui, aqui, aqui e aqui) não só não foram superados, como o primeiro, o sectarismo, se tornou ainda maior, como mostraram os atos de hostis a militantes que ousaram não ir para a rua mostrar seu apoio ao movimento.

Do jeito que está a coisa, as manifestações de 15 de novembro se tornaram decisivas. Se elas não juntarem pelo menos cinco vezes mais gente em todo o Brasil, o movimento tenderá a confirnar-se de vez à internet e, aos poucos, perder a pouca força política que ainda apresenta.

8 comentários sobre “Mal parado

  1. Com essa chuva? duvido!!!

    • É 15 de novembro. Se der praia e não houver sectarismo ou algum show na cidade, dá para fazer um presença legal.

  2. Bem, para quem negava até a “pouca força política”, já se nota uma mudança de percepção em relação ao movimento… 😉 Mas também acho que o movimento perde força. Não por “não ter proposta” mas por ser composto dos famosos humanos, demasiado humanos. Aqui em BSB começo a achar que a preocupação não é avançar com o movimento e sim preservar o movimento – como capital político daqueles que em breve se lançarão como os paladinos do movimento contra a corrupção. É por aí. Mas espero sinceramente estar errado.

    • Quando é que eu disse que não tinha força política? O que eu critico é exatamente que os tais organizadores do movimento querem fazer um movimento político apoliticamente. Uma contradição em termos que produz o fracasso que esse movimento é até o momento. Um dos organizadores aqui do Rio chegou a dizer que não é um movimento de esquerda, nem direita (tudo bem até aí) por que “esses conceitos não existem mais”. Na boa, como um sujeito que pensa – e diz! – uma besteira dessas pode ser levado à sério como organizador de um movimento que procura influenciar politicamente o país?

      Parece, claramente, que BSB é um caso à parte, por sua história recente. Daí a moblização aí ser maior. E o problema não é a falta de propostas. São as propostas erradas – ter como objetivo a confirmação da Ficha Limpa é pensar pequeno. O correto seria pensar como o pessoal do Ocupem Wall Street: defender a volta do poder político ao povo. Ou seja, politizar as decisões, especialmente, as econômicas (que são as que interessam, afinal). Essa é a maior falha dos tais organizadores – não querem “sujar as mãos” fazendo política, quando fazer política é a única maneira inventada pelo ser humano para que a vida tome a direção mais justa e civilizada.

      • Ivson, acho que você faz uma leitura equivocada do movimento aqui em BSB, até por não estar aqui. Mas, sem me alongar muito, essa história de “não querer sujar as mãos” já foi pelo ralo. Várias pessoas que se apresentam como líderes do movimento aqui começam a dar entrevistas bastante sugestivas de ambições políticas. A comunidade no Facebook já começou a ter censura – não pode publicar nada que questione o movimento, nem entrevistas dadas por membros a revistas de grande circulação. Disse desde o início que a manifestação era válida, tinha uma força simbólica, e não mudei de opinião, mas o fato é que ela não existe mais como tal.

        • Então as coisas estão indo na direção esperada. Não teria como ser diferente. Um movimento desses acaba por gerar líderes e estes acabam tendo ambições políticas (se é que já não tinham antes). É natural. O que não é natural é a censura. Ou até é, já que, desde o início, esse movimento tinha um cheiro estranho (o mote anticorrupção, a escolha da vassoura símbolo, a incapacidade de articulação com os movimentos populares, o apoio descarado da grande mídia). Enfim, vamos ver como vai evoluir. Agora, se puder, dê uma lida no editorial do Globo de ontem – é bem significativo do que sempre pareceu cercar esse movimento.

  3. Sem querer perpetuar esse papo aqui, mas… realmente não dá para tratar a marcha de brasília com as realizadas nas demais cidades. A dimensão é outra.

    O que vejo aqui é um precipício enorme entre a “cabeça” do movimento e os participantes. Conheço MUITA gente que foi às marchas, de estudantes a servidores públicos muito bem empregados. E todos têm um nível mínimo de compreensão de como funciona a sociedade e a política. Já os que se apresentam como líderes realmente parecem viver num mundo paralelo, um mundo onde a desinformação é vista como patrimônio, onde discordar da política partidária atual é fingir que ela não existe.

    O que eu prevejo, para o futuro próximo, é que o movimento seja apropriado por um ou mais líderes – aqueles que “odeiam” a política atual mas já mantêm encontros reservados com quadros da política atual – e avance para um momento decisivo em que se tornará uma massa de manobra ou começará a se desintegrar aos poucos.

    Só discordo de você em que esse tenha sido sempre o destino. Acho que houve uma chance real de fazer algo diferente e que essa chance se perdeu. Vamos ver.

    Abs.

    • Sem dúvida que em BSB é diferente. A prova é que aí as marchas tiveram uma adesão pelo menos 10 vezes maior do que nos outros centros. Creio que isso pode ser explicado pelo histórico recente de escândalos de nível nacional, localizado em um só lugar, que é, na menos, que a capital da República.
      Quanto ao destino do movimento, continuo mantendo meu ponto e também baseado em exemplos históricios de outros movimentos do tipo moralizador. Todos começam mostrando-se como sendo formados pela vanguarda da moral e da ética – por “varões de Plutarco”, como se dizia antigamente – e terminam como massa de manobra de líderes, que mantêm esse discurso por mais ou menos tempo, dependendo do talento e do carisma. O maior exemplo de nossa história republicana foi o Carlos Lacerda, embora o que tenha obtido maior sucesso tenha sido Jânio Quadros. À esquerda, o próprio Lula pode ser um bom exemplo – o PT, é bom nunca esquecer, tinha esse viés ético tão pronunciado que o Leonel Brizola (que falta faz, nem que fosse pela verve!) o chamava de “UDN de macacão”.

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