Movimento anticorrupção – obstáculos (IV)

Vamos à última enumeração. Revolução Francesa, Revolução Russa, ascensão do nazismo, Diretas-Já, Impeachment de Collor. Em comum? Lembrando James Carville, o marqueteiro de Bill Clinton, “a economia, mané!”. Os motivos econômicos estiveram por trás de todos esses movimentos de massa – e de outros que não citei, como o pontapé inicial da chamada Primavera Árabe e mesmo a Revolução de Veludo, que derrubou os regimes comunistas do Leste, no fim dos anos 80 do século passado.

De todos os eventos econômicos, aquele que melhor faz o papel de combustível para incêndio é a inflação. Naquela lista de movimentos de massa lá de cima, todos tiveram como antecedente um forte surto inflacionário – no caso da Alemanha de Weimar, uma hiperinflação mesmo. Isso ocorre, como sabemos muito bem (pelo menos aqueles já entrados nos “enta”), por que as grandes vítimas da inflação são os pobres, disparado, seguidos, um tanto de longe, pela classe média baixa e média. A classe média alta arruma um jeito de se defender e perder pouco, e os ricos e os muito ricos até se dão bem, se não fizerem muita bobagem. Pobres e classe média vivem de salário e esse não tem como enfrentar inflação galopante.

Assim, para que o movimento anticorrupção realmente deslanche, a inflação precisa continuar como está por um bom tempo ou dar uma acelerada boa (para 10% ao mês, pelo menos) a fim de que, vendo o valor do real escorrer-lhe entre os dedos, a classe média vá para as ruas e os pobres a sigam.

Os obstáculos se erguem exatamente aqui:

1. Para que o movimento avance é preciso fazer sofrer os mais fracos, o que o coloca diante de um problema ético. A saída para ele seria argumentar que a corrupção, por seus efeitos deletérios na sociedade, acaba, no longo prazo, afetando a vida de todos, inclusive os mais pobres e até mais a esses.

2. A economia vai bem. Ou melhor, relativamente bem – se você comparar com o resto do mundo. A inflação anda alta, mas ainda não está fora de controle e o governo tem instrumentos para evitar que isso aconteça, e o emprego continua em maré boa (o desemprego, depois da inflação, é a maior causa de descontentamento dos mais pobres), sem contar o crédito farto.

Enfim, no momento, o movimento anticorrupção tem uma adversária formidável para enfrentar. No entanto, contando com um pouco de sorte – e muito com a incompetência do governo – ela também pode se tornar também a sua mais poderosa aliada.

6 comentários sobre “Movimento anticorrupção – obstáculos (IV)

  1. Muito Legal. Aprendi bastante. Vc trabalha em algum lugar? abc

  2. ok!! Ia perguntar se tinha alguma oportunidade de estágio no blog ou em algum outro lugar que vc saiba. abc

  3. Irei! Valeu!!!

  4. Ok, Ivson. Obrigado pelo toque. Até…

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